Uruguai libera excedente de cota de carne bovina da China para o Brasil
Autorização anunciada após encontro entre Lula e Yamandú Orsi pode ampliar as vendas brasileiras ao mercado chinês, mas ainda depende da aceitação das autoridades da China.

Divulgação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva informou que o Uruguai autorizou o Brasil a utilizar o excedente da cota uruguaia de exportação de carne bovina para a China em 2026. O anúncio foi feito após reunião com o presidente uruguaio, Yamandú Orsi, nesta segunda-feira (21), em Nova York, quando os dois líderes discutiram comércio agrícola e infraestrutura.
Volume pode chegar a 80 mil toneladas
A cota do Uruguai para enviar carne bovina à China sem tarifas adicionais em 2026 é de 331 mil toneladas. O volume excedente estimado que poderia ser colocado à disposição do Brasil chega a aproximadamente 80 mil toneladas, quantidade equivalente a cerca de um mês dos embarques brasileiros ao mercado chinês.
A possibilidade representa uma oportunidade para ampliar a presença do Brasil no principal destino das exportações nacionais de carne bovina. A China concentra parcela expressiva das vendas externas do setor, e qualquer volume adicional pode influenciar a programação dos frigoríficos, a formação de preços e o fluxo comercial nos próximos meses.
Negociação envolve contrapartida europeia
A discussão ocorre há vários meses. O Ministério da Agricultura propôs ao governo uruguaio uma operação de troca de cotas. No modelo inicialmente avaliado, o Brasil disponibilizaria parte de sua parcela da cota do Mercosul para exportação de carne bovina resfriada à União Europeia com tarifa reduzida. Em contrapartida, o Uruguai transferiria ao Brasil o volume não ocupado em sua cota para a China.
O mercado europeu enfrenta restrições temporárias relacionadas à comprovação do controle no uso de antimicrobianos na produção brasileira. Por isso, parte da cota destinada ao bloco europeu tem utilização limitada. Ainda não está confirmado, porém, se o entendimento anunciado em Nova York mantém essa contrapartida ou se foi construído sob outra estrutura.
Aval da China continua sendo decisivo
A autorização bilateral não garante, por si só, a transferência definitiva do volume. A administração das cotas de importação cabe integralmente à China, que precisa aceitar a operação e reconhecer o Brasil como utilizador do excedente uruguaio. Caso considere a cota intransferível, a negociação não produzirá mudanças práticas nos embarques.
Por enquanto, a medida deve ser vista como uma possibilidade concreta de ampliação do acesso ao mercado chinês, mas ainda sujeita à definição de detalhes operacionais. Serão necessários informes sobre o volume final, o período de utilização, os produtos contemplados e os procedimentos de certificação. A resposta das autoridades chinesas determinará se a decisão entre Brasil e Uruguai se transformará em exportações adicionais.
Newsletter
Escolha seus assuntos favoritos e receba em primeira mão as notícias do dia.








