Preço do boi gordo sobe em São Paulo e em outras regiões pecuárias
A oferta restrita de boiadas e a firmeza dos vendedores impulsionaram as cotações do boi gordo em São Paulo e em outras praças. A valorização também atinge a reposição, com o bezerro avançando mais que o animal terminado e pressionando as margens dos pecuaristas.

Divulgação
O mercado do boi gordo registrou altas em boa parte do País nesta quarta-feira (23). A oferta restrita de boiadas e a postura firme dos vendedores deram sustentação às cotações, mesmo em um período sazonal de menor escoamento da carne. Para manter as escalas de abate em níveis confortáveis, frigoríficos precisaram aceitar parte dos preços praticados pelos produtores.
Referências em São Paulo avançam
Nas regiões de Araçatuba e Barretos, duas importantes referências para a formação de preços, o boi gordo ganhou R$ 5 e passou a ser cotado a R$ 350 a arroba. O chamado boi China subiu a mesma quantia, reaching R$ 360, enquanto a vaca foi negociada a R$ 335. A novilha teve valorização de R$ 2, fechando em R$ 347 a arroba.
O movimento positivo também foi observado em outras 12 praças acompanhadas pelo mercado, entre elas Dourados, Campo Grande e Três Lagoas, em Mato Grosso do Sul; Belo Horizonte; o norte de Minas Gerais; e Marabá e Redenção, no Pará. Nas 19 regiões restantes, as cotações permaneceram estáveis, indicando avanço amplo, mas não generalizado.
Reposição valoriza acima do animal terminado
O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) destaca que, entre setembro de 2025 e setembro de 2026, tanto o boi gordo quanto o bezerro apresentaram ganhos. Até o dia 22, o indicador Cepea/Esalq do boi gordo teve média à vista de R$ 350,30 por arroba, alta real de 11,3% na comparação anual, com valores corrigidos pelo IGP-DI. O bezerro nelore de 8 a 12 meses, em Mato Grosso do Sul, alcançou média de R$ 3.399,04 por cabeça, valorização de 13,6% no mesmo período.
A menor disponibilidade de animais para reposição, somada à demanda firme, mantém os preços dos bezerros elevados. Para o pecuarista terminador, esse cenário aumenta o custo de entrada de novos lotes e reduz o espaço para ganhos na engorda, ainda que a cotação do animal pronto também esteja em patamar favorável.
A relação de troca chegou a 9,7 arrobas de boi gordo para comprar um bezerro. Há um ano, eram necessárias 9,51 arrobas, e em setembro de 2024, 8,21. O patamar atual é o mais desfavorável desde outubro de 2021, quando a equivalência alcançou 10,27 arrobas.
Em 2026, a média ficou em 9,62 arrobas, acima da média histórica de 7,90 calculada pelo Cepea desde fevereiro de 2000. A diferença mostra que a valorização da reposição vem ocorrendo em ritmo mais intenso que a do boi terminado, pressionando o planejamento financeiro das operações de engorda.
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