Planos para o campo: o que os candidatos à presidência propõem para o agronegócio
Em um período de intensas discussões eleitorais, o Rota 62 apresenta as principais propostas dos candidatos à presidência da República para o agronegócio brasileiro. Conheça as estratégias de Jair Bolsonaro, Luiz Inácio Lula da Silva, Ronaldo Caiado, Augusto Cury e Renan Santos para um setor que é pilar da economia nacional.

Divulgação
O agronegócio é, sem dúvida, um dos pilares mais robustos da economia brasileira, respondendo por uma parcela significativa do Produto Interno Bruto (PIB) e com uma força política expressiva no Congresso Nacional. Diante da proximidade de um novo pleito eleitoral, as propostas dos candidatos à presidência da República para este setor vital se tornam pontos centrais de debate e análise. Compreender as visões dos presidenciáveis é crucial para produtores rurais, investidores e para toda a cadeia produtiva que move o país.
Os planos de governo apresentados pelos aspirantes ao cargo máximo do executivo federal refletem a percepção da relevância do agronegócio, seja na produção de alimentos para o consumo interno e exportação, na geração de empregos ou na inovação tecnológica. A pauta agropecuária, portanto, não é apenas um item entre outros, mas um componente estratégico que molda grande parte das discussões sobre desenvolvimento econômico, sustentabilidade e segurança alimentar.
As plataformas de cada candidato, conforme detalhadas em seus documentos oficiais, abordam diversas frentes, desde o financiamento e seguro rural até a infraestrutura, tecnologia e questões fundiárias. Embora com abordagens distintas, a meta comum é fortalecer o setor, ainda que os caminhos propostos para alcançar esse objetivo revelem divergências ideológicas e estratégicas. A seguir, apresentamos um panorama das principais promessas de alguns dos nomes que buscam a cadeira presidencial.
Jair Bolsonaro (PL)
O atual presidente, Jair Bolsonaro, foca em propostas para expandir a política de seguro rural, um tema recorrente na agenda do setor. Seu plano de governo inclui a implementação de ferramentas de securitização e reestruturação de dívidas para produtores rurais, visando dar maior solidez financeira ao campo. Além disso, Bolsonaro promete ampliar a capacidade de armazenagem das safras, o que poderia gerar melhores preços para os agricultores, e apoiar a produção nacional de fertilizantes, utilizando as reservas minerais do país para diminuir a dependência externa. A segurança jurídica no campo, com a garantia do direito de propriedade, e a retomada da titulação de terras, especialmente para pequenos agricultores, são outros pilares de sua plataforma. O candidato também prevê a expansão da área irrigada e incentivos à produção de biomassa no Plano Safra, bem como a consolidação do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e o pagamento por serviços ambientais.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
A candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva enfatiza a expansão do Plano Safra da Agricultura Familiar, com taxas de juros adaptadas ao perfil do agricultor e ao tipo de produto. A proposta também prevê o reforço do crédito para a agroecologia, produção orgânica e a valorização da sociobiodiversidade. Lula promete avançar na reforma agrária, na política de regularização fundiária e na demarcação de territórios indígenas e de comunidades remanescentes de quilombos, garantindo acesso à infraestrutura como água, saneamento e energia nesses locais. Para o agronegócio voltado à exportação, o ex-presidente defende agregar valor à pauta de comércio exterior, integrando ciência e capacidade produtiva. A ampliação dos recursos do Plano Safra com juros competitivos e a diversificação das fontes de financiamento também estão entre suas metas, assim como o fortalecimento da política de seguro rural, conectando-a a outros instrumentos de comercialização e proteção financeira.
Ronaldo Caiado (PSD)
Ronaldo Caiado, conhecido por sua trajetória ligada ao agronegócio, apresenta propostas para aumentar a eficiência produtiva através da inteligência artificial, extensão rural e metas de conectividade e digitalização no campo. Ele defende aprofundar programas de integração e recuperação de pastagens degradadas, um ponto crucial para a sustentabilidade e produtividade. O candidato propõe uma "nova arquitetura" para o financiamento do agro, com um Plano Safra Plurianual de cinco anos, fortalecimento de ferramentas como o Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA) e um seguro rural com participação pública e privada, vinculado ao crédito. A organização de corredores logísticos estratégicos para aproximar o setor dos mercados e a execução do Plano Nacional de Fertilizantes para reduzir a dependência de importados também são destaques. Caiado inclui a validação do CAR, a adoção de um sistema nacional de rastreabilidade, a ampliação do pagamento por serviços ambientais e o fortalecimento da defesa agropecuária com o uso de inteligência artificial.
Augusto Cury (Avante)
Augusto Cury, em seu plano de governo, estabelece a meta de criar condições para a implantação, modernização e expansão de pelo menos 10 mil agroindústrias no país. Ele menciona especificamente cooperativas, produção familiar, frigoríficos, etanol de milho, fábricas de ração e processadoras de frutas. Outra promessa é a criação de centros regionais de produção de proteínas animais, com atenção especial para o Nordeste e a região do Matopiba, visando ampliar a integração entre as cadeias produtivas de grãos e produtos de origem animal. Cury também propõe agregar valor às exportações brasileiras, sem desconsiderar a vocação para commodities, buscando maior participação no mercado global de produtos processados, como alimentos, biocombustíveis e ingredientes. O aumento da produtividade e eficiência das cadeias produtivas, com redução de desperdícios e custos logísticos, e o uso de tecnologias como inteligência artificial, automação e bioinsumos, são vistos como pilares para o desenvolvimento do setor.
Renan Santos (Missão)
No plano de governo de Renan Santos, batizado de "AgroBrasil 2030", as propostas incluem o fim das invasões de propriedades rurais e a restauração da segurança jurídica no campo, com promessas de repressão policial às ocupações e endurecimento de punições. Santos propõe uma auditoria em todos os 140 milhões de hectares destinados a assentamentos da reforma agrária no país, com a intenção de equiparar os níveis de produtividade desses assentamentos aos das demais propriedades rurais. Enquanto essa equiparação não for atingida, o governo não faria novas destinações de terras. Sua plataforma busca focar na produtividade e na garantia da propriedade como eixos centrais para o avanço do agronegócio brasileiro.
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