Oferta maior de café no Brasil pressiona preço em Nova York
A expectativa de safra recorde de arábica no Brasil levou contratos em Nova York a recuar 1,34%. Café e suco de laranja caíram, enquanto açúcar, algodão e cacau avançaram na bolsa americana.

Divulgação
Expectativa de safra recorde pressiona o arábica
O café arábica iniciou uma nova rodada de queda na Bolsa de Nova York, pressionado pela percepção de que o Brasil terá uma oferta mais confortável no próximo ciclo. Os contratos para dezembro recuaram 1,34% e foram negociados a US$ 2,8815 por libra-peso, refletindo o ajuste dos investidores diante do avanço da colheita no país.
A NRP Agro elevou sua estimativa para a produção brasileira de café arábica em 2026/27, de 44,2 milhões para 45,4 milhões de sacas. O volume previsto representa recuperação expressiva em relação à temporada anterior, quando foram produzidas 37,5 milhões de sacas, e reforça o sentimento de que o mercado global poderá contar com volumes maiores vindos do maior produtor e exportador mundial.
Produtividade surpreende nas principais regiões produtoras
O revisao para cima das projeções está relacionada ao melhor desempenho das lavouras em áreas importantes, como a Alta Mogiana e o Cerrado Mineiro. A produtividade acima do esperado nessas regiões reduziu parte da preocupação com a oferta brasileira e deu aos operadores mais segurança para trabalhar com o cenário de uma safra nacional em recuperação.
Com a colheita se aproximando do fim, o mercado deixa de negociar apenas riscos climáticos e passa a incorporar dados mais concretos sobre volume e qualidade da produção. Esse movimento favorece o encerramento de posições compradas por fundos especulativos e aumenta a procura por vendas, acrescentando liquidez e intensificando a pressão de baixa sobre as cotações.
Suco de laranja acompanha a alta da estimativa brasileira
O suco de laranja também perdeu valor em Nova York. Os contratos do produto concentrado e congelado, conhecido pela sigla FCOJ, com entrega em novembro, caíram 1,78%, para US$ 1,4375 por libra-peso. A movimentação ocorreu após a divulgação de novos números para a safra brasileira de laranja.
O Fundecitrus estima que o Brasil produza 263,15 milhões de caixas de 40,8 kg em 2026/27. O volume é 3,1% superior à previsão inicial divulgada em maio. Como o país concentra grande parte das exportações mundiais de suco, qualquer mudança relevante na estimativa de produção tende a provocar reação imediata entre compradores e investidores.
Açúcar sobe com petróleo e preocupação com déficit
Enquanto café e suco de laranja recuaram, o açúcar manteve trajetória de alta na bolsa americana. Os contratos com entrega em março do próximo ano, os mais negociados, avançaram 1,86% e chegaram a 19,75 centavos de dólar por libra-peso.
Dois fatores sustentaram a valorização: a expectativa de déficit na produção global em 2026/27 e a forte alta do petróleo. Com o barril novamente acima de US$ 100 e valorização de 6%, as usinas brasileiras podem encontrar mais atratividade na produção de etanol, reduzindo a quantidade de cana destinada à fabricação de açúcar.
Algodão e cacau registram ganhos
O algodão também terminou em terreno positivo em Nova York. Os contratos para dezembro subiram 1,08%, reaching 88,22 centavos de dólar por libra-peso, em uma sessão marcada por ganhos em diferentes commodities agrícolas.
O cacau teve movimentação mais discreta. Os contratos para dezembro avançaram 0,18%, reaching US$ 5.962 por tonelada, indicando estabilidade relativa após um período de maior volatilidade nos mercados internacionais.
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