Frigoríficos enfrentam custos maiores sem vendas de carne bovina à China
Com a cota chinesa de importação preenchida, frigoríficos brasileiros precisam redirecionar a produção para outros mercados. A mudança exige processos industriais diferentes e reduz a capacidade de repassar custos aos preços.

Divulgação
As vendas de carne bovina à China estão temporariamente interrompidas porque a cota de importação estabelecida pelo país asiático já foi preenchida. Com isso, frigoríficos brasileiros precisam direcionar a produção a outros destinos, em um movimento que aumenta os custos industriais. A avaliação foi apresentada por Luciano Pascon, presidente executivo da Frigol, durante evento da Datagro em São Paulo.
Produção mais complexa eleva custos
Pascon explicou que manter outros compradores não elimina o impacto operacional. A China concentra grande volume e permite produzir em padrões relativamente estáveis. Quando as empresas atendem clientes espalhados por diferentes países, precisam adaptar cortes, embalagens, especificações e processos às exigências de cada mercado.
Segundo o executivo, atender dez clientes chineses com um mesmo padrão é mais simples do que trabalhar com dez ou 15 compradores de outras nacionalidades, cada um demandando produtos diferentes. Essa fragmentação reduz ganhos de escala, exige maior organização da linha produtiva e pode aumentar despesas com ajustes, certificações e logística.
China sustenta as melhores margens
O problema não está apenas na perda momentânea de volume. Pascon destacou que o repasse dos custos adicionais aos preços é limitado e que a China continua sendo, de longe, o principal mercado para as margens do setor. Assim, mesmo quando a carne encontra compradores alternativos, a rentabilidade pode ficar abaixo da obtida nas operações com o mercado chinês.
A declaração evidencia a dependência dos frigoríficos brasileiros em relação à China, principal destino da carne bovina do país. A escala e a padronização oferecidas por esse comprador favorecem a eficiência industrial, enquanto a busca por mercados alternativos impõe maior complexidade. O desafio do setor é diversificar destinos sem comprometer a competitividade e a margem das operações.
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