Flat iron ganha espaço no churrasco e passa a concorrer com a picanha
O flat iron, corte bovino vindo do dianteiro do animal, tem conquistado consumidores pelo sabor, maciez, marmoreio e facilidade de preparo.

Divulgação
O flat iron deixou de ser um corte pouco conhecido nas churrasqueiras brasileiras e passou a disputar espaço com a picanha. A mudança acontece porque o corte combina sabor, maciez e praticidade, características valorizadas por consumidores que querem manter a qualidade do churrasco em casa sem depender apenas dos cortes mais tradicionais.
A picanha continua sendo uma das favoritas do público brasileiro por causa da capa de gordura e do sabor marcante. Já o flat iron vem do dianteiro do boi, em uma região da paleta conhecida como shoulder, ou raquete. A principal diferença está no processamento: essa peça possui uma membrana de tecido conjuntivo atravessando o músculo, que precisa ser retirada para transformar a carne em bifes mais uniformes.
Como o shoulder vira flat iron
A transformação do shoulder em flat iron é o que dá origem ao corte vendido em açougues, boutiques de carnes e restaurantes. Com a retirada da membrana central, a peça se divide em dois bifes de formato mais regular, prontos para receber tempero e ir ao fogo. Essa etapa exige trabalho adicional, mas ajuda a valorizar o produto final.
Antes menos presente no mercado nacional, o flat iron já era consumido com frequência em outros países, especialmente nos Estados Unidos. No Brasil, a popularização do corte veio pela combinação entre maciez, sabor e marmoreio, atributos que o tornam uma alternativa interessante para quem busca um bife mais jugoso e versátil.
Flat iron e picanha têm gorduras diferentes
Uma das diferenças mais visíveis entre os dois cortes está na gordura. A picanha é conhecida pela capa externa, que ajuda a dar sabor e suculência durante o preparo. O flat iron, por sua vez, não costuma ter essa mesma camada, mas pode apresentar gordura entremeada nas fibras musculares, o chamado marmoreio.
A quantidade de marmoreio varia conforme a genética do animal e o sistema de produção do rebanho. Quando bem definido, esse detalhe contribui para a textura e para o sabor do flat iron. Por isso, o corte pode oferecer uma experiência próxima à da picanha, mesmo tendo origem, formato e composição diferentes.
Por que o flat iron pode ser caro?
O preço do flat iron pode se aproximar do de uma picanha de boa qualidade por causa da etapa de limpeza e preparação. Antes de chegar ao consumidor, a peça precisa passar por uma operação de toalete, na qual o shoulder é aberto, limpo e transformado em bifes. Esse trabalho adicional encarece a proteína.
Apesar disso, o flat iron costuma ser vendido em porções menores. Em muitos casos, cada bife ou conjunto de bifes pode ficar entre 500 gramas e 600 gramas. Assim, mesmo com preço por quilo semelhante ao da picanha, o valor final da compra pode ser menor, dependendo do estabelecimento, da origem da carne e da qualidade do produto.
Como preparar o flat iron
Por ser vendido em bifes relativamente finos, o flat iron é um corte de preparo rápido. Ele pode ir à churrasqueira, chapa, frigideira ou até air fryer. Um bife com cerca de um dedo de espessura leva, em média, de três a quatro minutos de cada lado, variando conforme a temperatura do fogo e a espessura da peça.
O cuidado principal é não exagerar no cozimento. Como acontece com outros cortes bovinos, o excesso de calor e o tempo prolongado podem deixar a carne mais dura. O ideal é acompanhar o ponto e retirar o flat iron quando ele ainda estiver macio e suculento.
Um corte que veio para ficar
O nome flat iron, em inglês, significa “ferro de passar”. A denominação faz referência ao formato do corte, que lembra o aparelho doméstico antigo. Mesmo menos conhecido do público brasileiro, o flat iron já aparece com frequência em cardápios de restaurantes, açougues especializados e nas grelhas de quem quer variar o churrasco sem abrir mão de sabor e maciez.
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