Falta de energia é principal gargalo para confinamentos em Goiás, aponta Faeg
Expedição do PeseBem percorreu 6 mil quilômetros e visitou 50 confinamentos com mais de 1 milhão de animais. Além da energia, produtores enfrentam falta de mão de obra, conectividade insuficiente e margens pressionadas pelo alto custo de reposição do gado.

Divulgação
Energia limita a expansão da pecuária
A falta de energia elétrica é o principal obstáculo para a expansão dos confinamentos de gado em Goiás, especialmente na região Norte do Estado. A constatação foi levantada pela Expedição PeseBem, realizada pelo Sistema Faeg/Senar/Ifag entre os dias 15 e 19 de setembro. O trabalho também revelou dificuldades relacionadas à mão de obra e à cobertura de telefonia e internet nas propriedades mais afastadas.
A expedição percorreu aproximadamente 6 mil quilômetros pelas regiões Sul e Norte de Goiás e visitou 50 confinamentos que, somados, reúnem mais de 1 milhão de animais. A operação de campo contou com 19 profissionais e envolveu mais de 30 pessoas, permitindo uma avaliação ampla dos desafios enfrentados pelos produtores.
Conectividade dificulta adoção de tecnologias
Armando Rollemberg, presidente do Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária de Goiás (Ifag), destacou que a disponibilidade limitada de energia restringe novos investimentos e prejudica o crescimento da pecuária intensiva. A deficiência na conectividade também compromete o uso de ferramentas digitais, o monitoramento dos rebanhos e a adoção de tecnologias que poderiam aumentar a eficiência das propriedades.
Apesar das limitações de infraestrutura, a expedição identificou avanços relevantes nos sistemas de produção. O uso da integração lavoura-pecuária, a terminação intensiva e a presença de animais precoces demonstram que parte dos produtores busca reduzir o ciclo produtivo e melhorar o aproveitamento das áreas disponíveis.
Animais superprecoces chegam ao abate com 14 meses
Entre os exemplos observados durante o trabalho de campo estão animais superprecoces, abatidos aos 14 meses com média de 23 arrobas. As propriedades visitadas apresentam modelos diferentes de produção, desde sistemas totalmente confinados até aqueles que combinam a engorda com a integração lavoura-pecuária para acelerar o desenvolvimento dos animais.
Preço do gado pressiona as margens
O alto custo de reposição dos animais destinados ao confinamento também preocupa os produtores. Rollemberg informou que o garrote ou a novilha podem ser comprados por cerca de R$ 400 por arroba, enquanto o animal terminado deve ser vendido entre R$ 340 e R$ 350 por arroba. Essa diferença reduz a rentabilidade e exige maior controle dos custos operacionais.
Nos confinamentos visitados, os gastos diários de produção ficaram entre R$ 13 e R$ 17 por animal. O cenário levou parte dos produtores a demonstrar cautela sobre a continuidade da atividade em 2027, em meio às incertezas do atual ciclo da pecuária. Para os dirigentes do Ifag, uma reversão desse ciclo pode começar no próximo ano, mas depende também das condições de mercado e da capacidade de investimento no campo.
PeseBem acompanha a pesagem das carcaças
O PeseBem também oferece aos produtores maior transparência na pesagem das carcaças nos frigoríficos. Por meio de um link recebido no celular, o produtor pode acompanhar o procedimento em tempo real, consultar o romaneio utilizado pela indústria e comparar os dados registrados com as informações coletadas pelo programa.
Os resultados da Expedição PeseBem deverão subsidiar ações de capacitação, políticas públicas e medidas voltadas à melhoria dos processos produtivos. Goiás permanece entre os três estados brasileiros com o maior número de animais confinados, reforçando a importância de investimentos em energia, conectividade e assistência técnica para sustentar o crescimento do setor.
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