El Niño pode atrasar o plantio de soja em outubro
A semeadura da soja avançou pouco nas áreas de sequeiro, especialmente em Mato Grosso, devido à baixa recarga de água no solo. O El Niño tende a reduzir as chuvas no Centro-Norte do país e aumentar as precipitações no Sul.

Divulgação
A semeadura da safra de soja 2026/27 já começou em alguns Estados brasileiros, mas o ritmo inicial exige cautela. A principal preocupação está no comportamento das chuvas, pois o fenômeno El Niño tende a reduzir as precipitações no Centro-Norte do país e a aumentar os volumes de chuva em parte da Região Sul.
Avanço restrito em Mato Grosso
Em Mato Grosso, maior produtor nacional de soja, a semeadura chegou a 0,8% da área prevista. O resultado é próximo dos 0,6% registrados no mesmo período da temporada anterior, conforme dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O avanço, no entanto, continua limitado nas lavouras de sequeiro, que dependem diretamente da regularidade das chuvas.
Irrigação mantém as primeiras plantações
O plantio tem avançado principalmente em áreas irrigadas por pivô central, onde há maior controle sobre a disponibilidade de água. Nas propriedades que dependem exclusivamente das chuvas, as máquinas encontram dificuldades para trabalhar. As precipitações registradas até o momento ainda não foram suficientes para recuperar o armazenamento de água no solo, condição essencial para uma germinação uniforme da soja.
El Niño aumenta a necessidade de monitoramento
A tendência de chuvas abaixo do normal no Centro-Norte pode prolongar a espera pelo início seguro do plantio. Sem umidade adequada no solo, a semeadura antecipada eleva o risco de emergência irregular das plantas e pode comprometer o desenvolvimento inicial da lavoura. Por isso, produtores e técnicos acompanham diariamente as previsões meteorológicas antes de colocar as máquinas no campo.
Quadro climático deve ser desigual no país
Enquanto o Centro-Oeste e parte do Norte enfrentam maior atenção com a possível falta de chuvas, áreas do Sul podem receber volumes acima da média. Essa diferença exige planejamento regionalizado, pois cada produtor precisará avaliar o balanço hídrico, a condição da lavoura anterior e a janela mais segura para a semeadura. Nos próximos dias, a evolução das previsões será determinante para definir o ritmo do plantio de outubro.
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