Dez anos depois, mata renasce onde antes havia pasto e preocupação com a seca
Iniciativa do Núcleo Feminino da Cooptac transformou paisagem castigada pela estiagem em Afonso Cláudio, Espírito Santo, com plantio de 85 mudas que hoje formam uma mata robusta e recuperam nascente.

Divulgação
Há uma década, a paisagem às margens do Córrego Caipora, em Afonso Cláudio (ES), era marcada pela escassez. Córregos com volume reduzido, nascentes secas e cascatas sem água eram a realidade que motoristas e monitoras da Cooperativa de Transportes da Região Sudoeste Serrana (Cooptac) viam diariamente ao transportar estudantes. Foi diante desse cenário desolador que o Núcleo Feminino da cooperativa decidiu agir, transformando a preocupação em uma ação concreta de preservação ambiental.
Esperança plantada em 2016 floresce em mata nativa
Em agosto de 2016, 85 mudas de espécies nativas foram cuidadosamente plantadas às margens do Córrego Caipora, na localidade de São Vicente do Firme. A iniciativa, que visava combater os efeitos da estiagem e recuperar a mata ciliar, foi realizada em uma propriedade particular, cedida pelos cooperados José Francisco Machado e Maria Madalena da Silva. Dez anos depois, o resultado é visível e inspirador: onde antes havia pasto, hoje se ergue uma mata robusta, com árvores de troncos fortes, que oferecem sombra e devolveram o verde à região. Segundo relatos dos moradores que acompanharam o processo, a nascente do córrego também apresentou sinais de recuperação.
O legado de uma ação coletiva e o protagonismo feminino
A iniciativa, batizada de “Coopere com o Meio Ambiente e Adote uma Árvore”, não foi apenas um plantio, mas um símbolo de esperança, união e coragem. Renata Eller, que participou do projeto e hoje preside a Cooptac, ressalta a importância da ação: “Hoje, olhando para trás, vejo que aquelas 85 mudas representavam muito mais do que um plantio. Elas representavam esperança, união e a coragem de acreditar que pequenas atitudes podem transformar uma realidade”. Para ela, o que mais impressiona é a forma como o projeto ganhou vida própria, evoluindo de um simples plantio para um ecossistema revitalizado.
Da preocupação com a água à consciência ambiental coletiva
A transformação da paisagem em São Vicente do Firme não se limitou à área plantada. Maria Madalena da Silva, que permaneceu na propriedade durante todos esses anos, testemunhou de perto a natureza retomar seu espaço. “Antes era pasto. Decidimos preservar as margens dos rios e em volta da nascente da propriedade. Acompanhamos preservando a área, sem trânsito de animais, para que se formasse a vegetação”, conta. O resultado, segundo ela, é um córrego com maior volume e uma nascente mais ativa. Além disso, Madá observa uma mudança significativa no comportamento dos moradores da região, que se tornaram mais conscientes da importância da preservação ambiental. Essa consciência, para ela, é fundamental para a permanência das famílias no campo, garantindo a abundância hídrica como herança para as futuras gerações.
O cooperativismo além da estrada
A iniciativa do Núcleo Feminino da Cooptac demonstrou que o cooperativismo pode ir muito além da atividade econômica. O protagonismo feminino foi essencial para o sucesso do projeto, mostrando que as cooperadas podem liderar iniciativas de impacto social e ambiental. A experiência fortaleceu os vínculos entre as cooperadas e a comunidade, promovendo um senso de participação, união e responsabilidade. O principal legado, segundo Renata Eller, não está apenas nas árvores, mas na demonstração de que o cooperativismo também envolve cuidar das pessoas, da comunidade e do lugar onde vivemos, reforçando a ideia de que grandes transformações começam com pequenas atitudes.
Newsletter
Escolha seus assuntos favoritos e receba em primeira mão as notícias do dia.








