Demanda externa por arroz brasileiro eleva preços e disputa no RS
A procura internacional e a recomposição de estoques sustentam a cotação do arroz em casca no Rio Grande do Sul e intensificam a disputa por lotes de menor rendimento.

Divulgação
O preço do arroz em casca segue firme no Rio Grande do Sul com a combinação de demanda externa e necessidade das indústrias de recompor estoques. Na terça-feira (22/9), o indicador Cepea/IRGA-RS registrou R$ 81,90 por saca de 50 quilos, alta acumulada de 4,50% desde o início de setembro.
Oferta ainda pontual mantém pressão sobre os preços
A presença de vendedores aumentou levemente nos últimos dias, mas não foi suficiente para alterar o cenário de disponibilidade restrita. Parte dos produtores mais capitalizados continua aguardando melhoras na cotação, enquanto aqueles que necessitam de caixa ampliou a oferta de arroz, inclusive para obter recursos destinados ao preparo do solo da safra 2026/27.
Do lado comprador, algumas indústrias voltaram a comprar com mais intensidade. Empresas que, nas semanas anteriores, concentraram as aquisições nos lotes já armazenados passaram a procurar produto disponível no mercado, impulsionadas pela necessidade de reerguer estoques. Como os produtores permanecem resistentes aos preços atuais, os compradores tiveram de ajustar suas ofertas para conseguir novos volumes.
Exportação disputa arroz com a indústria nacional
A concorrência foi mais evidente nas regiões próximas ao Porto de Rio Grande, onde a demanda internacional segue ativa. A baixa disponibilidade de arroz com rendimento inferior a 57% de grãos inteiros, produto geralmente destinado à exportação, levou compradores externos a adquirir também lotes com 58% de grãos inteiros.
Com isso, o produto voltado ao mercado interno passou a competir de forma mais direta com os exportadores nessa faixa de rendimento. A tendência foi de valorização mais acentuada desses lotes em comparação aos arquivos com níveis superiores de rendimento, refletindo a disputa por uma matéria-prima com oferta limitada.
Equilíbrio depende da chegada de novos volumes
O movimento atual mostra como a atividadericeícola gaúcha está conectada tanto ao abastecimento nacional quanto às exportações. Enquanto os estoques industriais permanecerem baixos e a procura externa se mantiver, os preços devem continuar sustentados. A normalização da disputa tende a depender da chegada de maiores volumes no mercado e da disposição dos produtores em vender.
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