Crise bilionária: Presidente da Cotribá renuncia em meio a dívida de R$ 1,4 bilhão
A Cooperativa Agrícola Mista General Osório Ltda. (Cotribá), uma das mais antigas do Brasil, vive um momento de forte instabilidade. O presidente Carlos Diehl renunciou ao cargo após apenas seis meses, sendo substituído pelo vice-presidente Sergio Strentske. A mudança ocorre enquanto a cooperativa gaúcha enfrenta um passivo superior a R$ 1,4 bilhão e vê seu pedido de recuperação judicial suspenso pela Justiça, complicando ainda mais os esforços para sua reestruturação.

Divulgação
A Cooperativa Agrícola Mista General Osório Ltda. (Cotribá), gigante do agronegócio com raízes históricas no Rio Grande do Sul, atravessa um período de intensa turbulência. Carlos Diehl, que ocupava a presidência da tradicional instituição de Ibirubá (RS), renunciou ao cargo nesta quinta-feira, 24 de setembro, após pouco mais de seis meses à frente da cooperativa. A saída de Diehl acende um novo alerta em um cenário já complexo, marcado por desafios financeiros significativos e uma busca incessante por estabilidade.
Assumiu a liderança de forma interina o vice-presidente, Sergio Strentske, com Paulo Prediger sendo indicado para a vice-presidência pelo Conselho de Administração. Em comunicado, a Cotribá assegurou que a alteração em sua representação legal não impacta o fluxo de suas operações diárias. A nova gestão tem como missão primordial focar na recuperação e reorganização, buscando a continuidade das atividades e a criação de condições para o fortalecimento da cooperativa, que é vital para milhares de produtores rurais na região.
Crise financeira e instabilidade na liderança
A troca de comando é apenas um dos capítulos recentes na grave crise que assola a Cotribá, fundada em 1911 e considerada a cooperativa mais antiga do Brasil. Com uma base de 11,7 mil produtores rurais associados, a instituição acumula um passivo que ultrapassa a impressionante marca de R$ 1,4 bilhão. Este montante inclui dívidas com grandes bancos, companhias fornecedoras de insumos agrícolas e, o que é mais sensível, com os próprios agricultores que nela depositam sua confiança e produção.
A volatilidade na cúpula da Cotribá não é novidade. Em agosto, Paulo Antonio Goulart, então CEO da cooperativa, foi destituído após um período de apenas cinco meses, um movimento que foi justificado como "parte do plano de reestruturação". Curiosamente, Goulart era conhecido por se descrever como um "expert em crises". Antes dele, Luis Felipe Maldaner havia permanecido no cargo por um período ainda menor, apenas quatro meses, evidenciando uma sucessão de gestões de curta duração em um momento crucial.
Recuperação judicial barrada pela Justiça
Os esforços para reverter a situação financeira da Cotribá esbarraram em obstáculos legais significativos. A cooperativa havia protocolado um pedido de recuperação judicial, uma medida comum para empresas em dificuldades financeiras, visando reestruturar suas dívidas e manter suas operações. Contudo, essa tentativa foi suspensa após uma ação movida pelo Banco Votorantim, um dos credores.
No início de setembro, a Justiça do Rio Grande do Sul proferiu uma decisão ainda mais contundente, negando à Cotribá a legitimidade para pleitear a recuperação judicial. A sentença judicial fundamenta-se na compreensão de que a legislação brasileira confere às cooperativas um regime jurídico distinto para gerenciar situações de crise, priorizando mecanismos de liquidação específicos previstos na lei que rege a Política Nacional de Cooperativismo. Para agravar o quadro de incertezas, uma assembleia geral extraordinária que estava marcada para o dia 28 de setembro foi cancelada, e ainda não há previsão de quando os associados poderão se reunir para discutir os rumos da cooperativa.
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