Casal transforma propriedade rural em espaço de produção e aprendizado
Depois de superar desafios para conquistar a terra própria no Espírito Santo, casal diversifica a produção, investe em energia solar e recebe estudantes para conhecer a rotina do campo.

Divulgação
Conquista da terra própria
Um dos maiores objetivos de quem trabalha com agricultura é conquistar uma propriedade própria. Para o casal Aldaécio Bergamini, de 50 anos, e Jocilene Bergamini, de 42 anos, esse sonho começou a ganhar forma em 2010, quando deixaram a condição de meeiros em Sooretama, no norte do Espírito Santo, e adquiriram uma propriedade no Córrego da Areia, em Jaguaré.
A mudança representou mais do que a posse de um terreno. O casal passou a trabalhar para si, planejar a produção e construir uma nova etapa de vida no campo. Mesmo diante da insegurança inicial e de críticas de quem duvidava da capacidade do casal de prosperar na nova propriedade, Aldaécio e Jocilene mantiveram o projeto e investiram na estrutura do sítio.
Produção diversificada no campo
Com o passar dos anos, a propriedade foi se consolidando. Atualmente, o casal cultiva café, pimenta-do-reino e maracujá voltados para o comércio, além de diferentes frutíferas destinadas ao consumo da família e dos visitantes. A diversificação ajudou a fortalecer a produção e tornou o sítio um espaço de trabalho, convivência e aprendizado.
“O nosso desejo era conquistar o nosso pedacinho de chão, plantar, colher e construir a vida em uma terra que fosse nossa, trabalhar para a gente mesmo, e nós não desanimamos”, lembra Aldaécio. A frase resume uma trajetória marcada pela persistência e pela valorização do trabalho rural.
Estiagem e energia solar
Depois de organizar a propriedade, o casal enfrentou um dos períodos mais difíceis da agricultura capixaba: a estiagem que atingiu o Espírito Santo entre 2014 e 2017. O episódio exigiu adaptação, planejamento e novos investimentos para recuperar a rotina produtiva e reduzir vulnerabilidades.
Outro desafio surgiu com o alto custo da energia elétrica. A alternativa encontrada foi buscar crédito em uma cooperativa e instalar uma usina de energia solar. A geração própria passou a reduzir uma das principais despesas da propriedade e contribuiu para dar mais estabilidade ao funcionamento do sítio.
Redes sociais aproximam a cidade do campo
Uma transformação inesperada começou quando o casal passou a publicar vídeos simples da rotina rural nas redes sociais. O objetivo inicial era compartilhar o cotidiano da propriedade, mas o conteúdo chamou a atenção de pessoas interessadas em conhecer a vida no campo, a origem dos alimentos e o trabalho diário dos produtores.
“Eu nunca imaginava que aqueles vídeos que a gente estava fazendo, simples, da roça, iam dar tanta repercussão e servir para outras pessoas”, conta Aldaécio. O alcance das publicações ajudou a transformar o sítio em referência para quem busca uma experiência mais próxima da realidade agrícola.
Propriedade vira sala de aula rural
Hoje, o Sítio Bergamini recebe escolas durante todo o ano. Estudantes visitam a propriedade para realizar atividades pedagógicas, observar cultivos, conhecer técnicas de manejo e entender como os alimentos chegam à mesa. A experiência permite unir teoria e prática, especialmente para jovens que vivem em comunidades rurais.
A iniciativa também amplia o papel social da propriedade. Além de produzir alimentos, o espaço passou a funcionar como ponto de encontro, educação e valorização da vida no interior. Para os visitantes, colher e experimentar frutos diretamente no pé tornou-se parte de uma vivência que aproxima as pessoas do campo e mostra a importância do produtor rural.
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