Agronegócio brasileiro mira expansão global com avanços na China e União Europeia
O Brasil registra vitórias significativas no agronegócio, com a China habilitando novos frigoríficos e a União Europeia liberando a venda de aves e mel. No entanto, a exportação de carne bovina para o bloco europeu ainda enfrenta desafios, enquanto o governo brasileiro busca soluções e se mantém otimista com o mercado chinês.

Divulgação
O agronegócio brasileiro está em ascensão, com avanços estratégicos que prometem impulsionar ainda mais as exportações. Em meio a um cenário internacional de incertezas, o ministro da Agricultura, André de Paula, expressou otimismo, destacando resultados “rápidos” de auditorias recentes de importantes parceiros comerciais. A China, um dos maiores mercados para o Brasil, anunciou a habilitação de quatro novos frigoríficos – dois de carne bovina e dois de frango – além de abrir o mercado para miúdos suínos. Paralelamente, técnicos da União Europeia (UE) deram um passo positivo, aprovando as garantias de controle de antimicrobianos nas cadeias de aves e mel, o que deve liberar em breve as vendas desses produtos para o bloco.
Avanços na China e o impasse com a União Europeia
Enquanto as portas se abrem para aves e mel na Europa, a carne bovina brasileira ainda enfrenta obstáculos significativos junto ao bloco. O ministro André de Paula tem mantido intensas tratativas com Bruxelas para reabrir o mercado de produtos de origem animal, mas reconhece que a posição europeia sobre a carne bovina permanece inflexível. A expectativa é que a retomada das vendas para este segmento demore pelo menos dois anos, devido à exigência da UE de garantias de que não há uso de antimicrobianos em todo o ciclo de vida dos animais. Esta lógica, segundo o secretário de Defesa Agropecuária, Carlos Goulart, é um ponto de discórdia para o lado brasileiro, que considera o tratamento desigual em comparação com outros produtos.
Estratégias brasileiras e a influência do Reino Unido
Diante do impasse com a UE, o governo brasileiro busca alternativas e reforça sua argumentação técnica. Uma das discussões em curso é a possibilidade de banir antimicrobianos no país, um pedido que vem da própria indústria frigorífica, visando alinhar-se às exigências europeias. O pleito brasileiro será intensificado após a aprovação, sem ressalvas, do sistema de controles para aves e mel, o que o ministro espera que acelere a decisão da Comissão Europeia. Para além da UE, o Reino Unido, que manteve as importações de carne bovina, enviará uma missão técnica ao Brasil em outubro. A expectativa é que essa auditoria britânica possa referendar tecnicamente os argumentos brasileiros, sinalizando um caminho para o tratamento que o Brasil busca no cenário global de exportações.
Otimismo contínuo com o mercado chinês
Apesar dos desafios europeus, o otimismo se mantém firme em relação à China. O ministro André de Paula acredita que o país asiático fará novas habilitações de frigoríficos ainda este ano e poderá autorizar a importação de miúdos bovinos em breve. As recentes liberações pela China incluíram plantas de carne bovina como Supremo Carnes (MG) e Masterboi (PE), e de frango como Avivar Alimentos (MG) e Cooperativa Dália Alimentos (RS). Ao todo, 17 das 33 plantas apresentadas foram auditadas remotamente. Enquanto isso, o Brasil já atingiu 100% da sua cota de 1,106 milhão de toneladas de carne bovina para a China em 2026. Há também discussões sobre a possibilidade de o Brasil assumir parte da cota não preenchida pelo Uruguai, embora a decisão final dependa do aceite chinês, reforçando a importância estratégica deste mercado.
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