Açúcar e cacau disparam em Nova York com preocupações de oferta e cenário macro
Preços de commodities agrícolas como açúcar, cacau, suco de laranja, algodão e café registram altas expressivas na bolsa de Nova York, impulsionados por fatores climáticos no Brasil, decisões estratégicas de países produtores e flutuações cambiais.

Divulgação
Os mercados de commodities agrícolas em Nova York iniciaram a semana com fortes altas, refletindo um cenário de oferta restrita e influências do ambiente macroeconômico. O açúcar, em particular, registrou um avanço significativo, com os lotes demerara com vencimento em março do próximo ano fechando em alta de 4,01%, atingindo 20,73 centavos de dólar por libra-peso. Essa valorização é atribuída à persistente preocupação com a oferta global, especialmente a partir do Brasil, o maior produtor e exportador mundial do produto.
Chuvas no Brasil impactam colheita de cana
As condições climáticas adversas no Centro-Sul do Brasil têm sido um fator determinante para a elevação dos preços do açúcar. As chuvas contínuas na região atrasam o cronograma da colheita da cana-de-açúcar e interrompem as operações de moagem nas usinas. Essa interrupção na produção impacta diretamente a disponibilidade do produto no mercado internacional, alimentando as preocupações com a oferta e sustentando os preços em patamares elevados, que já atingiram o maior valor em 19 meses.
Cacau em alta com reestruturação de financiamento em Gana
O cacau também apresentou uma forte valorização na bolsa de Nova York, com os contratos para dezembro subindo 3,19% e alcançando US$ 5.567 por tonelada. A alta é impulsionada pela decisão do Conselho do Cacau de Gana, segundo maior produtor mundial, de reestruturar o financiamento para a safra de 2026/27. A limitação da garantia baseada na produção a menos de 60% visa fortalecer a gestão de riscos no setor, mas pode restringir a liquidez para produtores e exportadores, gerando expectativas de menor oferta futura e influenciando positivamente os preços atuais.
Outras commodities seguem a tendência de alta
A tendência de valorização se estendeu a outras commodities importantes. O suco de laranja concentrado e congelado (FCOJ) disparou na bolsa de Nova York, com os lotes para novembro registrando uma alta de 6,84%, chegando a US$ 1,4435 por libra-peso. O algodão, com lotes para dezembro, avançou 2,63%, cotado a 77,13 centavos de dólar por libra-peso. O café também acompanhou o movimento de alta, com os contratos de dezembro fechando em 1,39% de valorização, a US$ 2,9255 por libra-peso. O cenário macroeconômico, incluindo a valorização do real frente ao dólar, que desestimula exportações brasileiras, também contribui para a sustentação dos preços.
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