Terceira via fracassa mais uma vez e nenhum alternativo passa de 3%
Candidatos como Augusto Cury, Renan Santos, Ronaldo Caiado e Romeu Zema, somados, não alcançaram 8% dos votos válidos, mantendo o padrão de polarização no cenário eleitoral brasileiro.

Divulgação
A expectativa de uma terceira via capaz de romper a polarização política no Brasil parece, mais uma vez, ter se dissipado. Nas eleições presidenciais, o segundo turno se configurou, pela terceira vez consecutiva, entre um candidato do PT e um representante da família Bolsonaro. Postulantes que buscavam se apresentar como alternativa a esse cenário, como Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), além de outros seis candidatos, obtiveram, em conjunto, apenas 7,81% dos votos válidos. Este resultado reforça um padrão histórico observado desde a redemocratização do país, onde nenhuma candidatura alternativa conseguiu furar o bloqueio ideológico dominante e chegar à disputa final.
A ilusão da terceira via
É fundamental distinguir o terceiro colocado de uma eleição da representação de uma "terceira via". Enquanto o primeiro se refere à posição numérica na apuração, a segunda descreve uma estratégia política deliberada de se apresentar como uma alternativa viável aos dois polos que concentram a maior parte do eleitorado. Nesse sentido, mesmo que um candidato como Ronaldo Caiado tivesse superado o adversário bolsonarista e avançado ao segundo turno contra o PT, ele seria o terceiro colocado, mas o senador do PSD teria, de fato, conseguido romper a configuração da disputa ao retirar um dos polos dominantes do confronto final. A percepção de "terceira via" tem se assemelhado, nas últimas nove eleições, mais a um desejo coletivo do que a uma probabilidade concreta de sucesso.
Estratégias e desempenho dos alternativos
Ronaldo Caiado buscou explicitamente ocupar esse espaço, utilizando o slogan "Nem A, nem B, C de Caiado" e declarando o objetivo de "acabar com a polarização". Suas críticas foram direcionadas tanto a Lula quanto a Bolsonaro. Caiado obteve 2,18% dos votos. Augusto Cury, por sua vez, fez da rejeição ao confronto entre esquerda e direita uma marca de sua campanha, declarando-se de centro e buscando atrair eleitores insatisfeitos com os polos. Ele concentrou 2,89% dos votos. Romeu Zema adotou uma postura mais discreta, apresentando-se como um nome "fora do sistema", mas indicando apoio ao candidato que enfrentasse o PT, mesmo que fosse Bolsonaro. Zema registrou 0,27% dos votos. Renan Santos rejeitou o rótulo de "terceira via", afirmando que seu objetivo era substituir Bolsonaro como único candidato de direita. Ele obteve 2,24% dos votos, sem conseguir dissuadir o eleitorado bolsonarista.
O impacto da ausência de debates e o capital político remanescente
A ausência dos principais candidatos, Lula e Bolsonaro, em debates durante o primeiro turno, também contribuiu para a dificuldade da "terceira via" em confrontar diretamente seus adversários e ganhar visibilidade. A falta de participação em encontros importantes, como o da Band e o previsto pela TV Globo, limitou as oportunidades para os candidatos alternativos apresentarem suas propostas e se diferenciarem. Apesar do desempenho eleitoral aquém do esperado, os candidatos derrotados não perdem sua relevância para a disputa. O capital político que representam poderá ser decisivo no segundo turno, com negociações e possíveis apoios que podem influenciar o resultado final. A maioria deles, no entanto, evitou indicar um eventual apoio na segunda fase da disputa, mantendo a indefinição sobre seus próximos passos.
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