Setor produtivo alerta para riscos de inflação e desemprego com fim da escala 6x1
Entidades representativas do setor produtivo expressam preocupação com a possível aprovação da PEC que extingue a escala 6x1, argumentando que a medida pode gerar aumento de custos, pressão inflacionária e redução de empregos formais. A discussão avança no Senado em período eleitoral.

Divulgação
O setor produtivo brasileiro manifestou, nesta terça-feira (6.out.2026), profunda preocupação com a iminente votação no Senado Federal de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa extinguir a escala de trabalho 6x1. As entidades representativas do segmento defendem que a discussão sobre o tema necessita de "tempo e cuidado", com a devida consideração aos seus impactos sobre a economia, os investimentos e a geração de empregos formais no país. A nota divulgada aponta que a redução da jornada de trabalho, sem a correspondente diminuição salarial, pode acarretar um aumento significativo nos custos de produção em diversas áreas.
Impactos econômicos e sociais temidos
Segundo o comunicado, os efeitos de uma eventual redução da jornada de trabalho serão sentidos de forma expressiva em setores vitais como a indústria, o comércio, o transporte, a agricultura, o cooperativismo, a saúde e os serviços em geral. A consequência direta, conforme apontam as entidades, será o aumento dos custos operacionais, a consequente redução nas contratações formais e uma pressão inflacionária que poderá afetar o poder de compra da população. Estimativas da Confederação Nacional da Indústria (CNI) indicam que a adoção de uma jornada de 40 horas semanais com manutenção salarial poderia elevar os custos de produção em até R$ 267,2 bilhões. A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) projeta uma alta inflacionária de, no mínimo, 13%, enquanto a Confederação Nacional do Transporte (CNT) prevê um acréscimo inicial de R$ 11,9 bilhões apenas em custos de mão de obra para o setor.
Defesa por debate aprofundado e flexibilidade
As entidades signatárias da nota, que incluem a CNI, a CNC, a CNT, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) e a Organização das Cooperativas do Brasil (OCB), reconhecem a importância da discussão sobre jornada e escala de trabalho. Contudo, defendem que quaisquer alterações legislativas nessa área devem levar em consideração as profundas diferenças entre os diversos setores, atividades e processos produtivos existentes no Brasil. Argumentam ainda que a possibilidade de adaptação da jornada por meio de negociação coletiva e a implementação de regras de transição mais flexíveis são essenciais para mitigar os impactos negativos, o que, segundo eles, requer um tempo maior para um debate aprofundado.
Tramitação no Senado em período eleitoral
A discussão sobre a PEC que extingue a escala 6x1 ganha contornos de urgência com a sinalização do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), de que a proposta poderá ser votada antes do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro. O Senado programou sessões de discussão da PEC para os dias 7 e 8 de outubro. Conforme o regimento interno, a votação em primeiro turno de uma PEC exige cinco sessões de discussão, seguidas por outras três sessões antes da votação em segundo turno. Se o cronograma for seguido rigorosamente, a proposta poderia ser votada em ambos os turnos até o dia 21 de outubro. Embora o presidente do Senado tenha afirmado que não pretende acelerar a tramitação, a possibilidade de aprovação em período eleitoral intensifica o debate sobre os impactos econômicos e sociais da medida.
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