Secom nega envio de presentes de lobista a assessores de Lula
A Secom rebateu mensagens que atribuem joias, relógios, ingressos, festas e hospedagem a assessores ligados à Presidência. Servidores negam vantagens e afirmam que nenhuma proposta comercial da empresária foi aprovada.

Divulgação
Negativa do Planalto
A Secretaria de Comunicação da Presidência da República, a Secom, negou nesta quinta-feira, 24 de setembro de 2026, que o assessor Swedenberger Barbosa e a secretária pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Cláudia Troiano, tenham recebido presentes ou vantagens indevidas da empresária Roberta Luchsinger. A manifestação do Planalto foi enviada em resposta às mensagens nas quais Luchsinger fala de joias, relógios, ingressos para shows, festas e hospedagens destinadas aos dois servidores.
As conversas divulgadas atribuem a Luchsinger, sócia do filho mais velho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, o conhecido Lulinha, a organização de benefícios para Barbosa e Troiano. A Secom, contudo, afirma que os servidores negam categoricamente qualquer recebimento e que a atuação deles segue as normas da Administração Pública, sem influência externa.
Presentes e valores
Nas mensagens, Barbosa teria recebido um relógio Cartier Tank de ouro, avaliado em R$ 66 mil, comprado em 29 de abril de 2024. O mesmo registro menciona um quadro do pintor Antonio Veronese, adquirido por 13 mil euros, equivalente a aproximadamente R$ 82,9 mil pelo câmbio de dezembro de 2024, além de ingressos para shows. A lobista também teria custeado a festa de aniversário de 67 anos do assessor, realizada em novembro de 2024, no estádio Mané Garrincha, durante apresentação de Caetano Veloso e Maria Bethânia.
Depois do evento, Rozângela, esposa de Barbosa, enviou uma mensagem de agradecimento a Luchsinger. No dia seguinte, o assessor também agradeceu pela festa e citou o empresário Cleber Ribas entre os responsáveis pelo evento. Ribas é dono da empresa 3Structure IT, que, conforme os registros apresentados nas conversas, contratou serviços públicos durante o governo Lula.
Cláudia Troiano, que integra o grupo mais próximo de Lula e participa da organização da agenda presidencial, aparece nas mensagens como destinatária de roupas, ingressos, uma peça de joalheria e uma hospedagem no apartamento de Luchsinger, em São Paulo, em março de 2025. Em outra comunicação, a empresária afirma que levaria um novo presente para a secretária usar.
Defesa sem contratos
Swedenberger Barbosa sustentou que nenhuma proposta comercial apresentada por Luchsinger foi aprovada durante sua gestão no Ministério da Saúde. Segundo a nota, as iniciativas não avançaram por falta de viabilidade técnica e jurídica, e nenhum contrato foi assinado pela pasta em decorrência delas. Cláudia Troiano também negou o recebimento de qualquer vantagem.
O episódio apresenta uma disputa direta de versões: as mensagens indicam uma relação de proximidade entre Luchsinger e os assessores, enquanto o Planalto e os servidores rejeitam a existência de favorecimento. A existência dos registros deve ser analisada em conjunto com os documentos oficiais e pelas instâncias competentes, sem transformar alegações em conclusão definitiva.
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