Paulinho da Força pede impeachment de ministros do STF
Deputado federal protocolou pedidos de impeachment contra André Mendonça, Kassio Nunes Marques e Luiz Fux, alegando crime de responsabilidade. As ações ocorrem em um momento de tensões institucionais no Supremo.

Divulgação
O deputado federal Paulinho da Força, presidente nacional do Solidariedade, apresentou ao Senado Federal nesta terça-feira (29) uma série de pedidos de impeachment contra três ministros do Supremo Tribunal Federal (STF): André Mendonça, Kassio Nunes Marques e Luiz Fux. O parlamentar alega a prática de crime de responsabilidade por parte dos magistrados, e os documentos já aguardam despacho para análise.
Alegações contra os ministros
Nas petições, Paulinho da Força detalha as motivações para os pedidos. Contra o ministro André Mendonça, o deputado argumenta que o magistrado tem agido de forma parcial e com direcionamento político-eleitoral, citando a suposta criação de eventos processuais para favorecer um grupo político específico. No caso de Luiz Fux, a denúncia foca na sua atuação em um processo envolvendo o Banco Master, onde Paulinho alega suspeição e incompatibilidade com a honra e o decoro do cargo. Já em relação a Kassio Nunes Marques, a base do pedido de impeachment são as suspeitas de um pagamento envolvendo valores significativos e um advogado ligado ao ministro.
Contexto político e institucional
Essas ações ocorrem em um cenário de notória instabilidade e divergências dentro da cúpula do Poder Judiciário. O STF tem sido palco de formações de grupos com visões distintas, impactando a dinâmica interna da Corte. De um lado, ministros mais alinhados ao Palácio do Planalto, como Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Cristiano Zanin. Do outro, um grupo com posições mais distantes do Executivo, composto por Luiz Fux, Nunes Marques e André Mendonça. Ministros como Edson Fachin, Cármen Lúcia e Dias Toffoli transitam entre essas alas, buscando um equilíbrio.
Relações e histórico do deputado
É relevante notar o trânsito político de Paulinho da Força no Congresso Nacional, especialmente com o ministro Alexandre de Moraes. O próprio deputado teve seu mandato assegurado em 2023 por uma decisão do TSE, liderada por Moraes e outros ministros, após a cassação do mandato de outro parlamentar. Mais recentemente, Paulinho foi escolhido para ser relator do projeto de redução de penas para condenados pelos eventos de 8 de Janeiro, uma escolha que contou com o aval direto dos ministros Moraes e Gilmar Mendes, evidenciando sua proximidade com determinados setores da Suprema Corte.
O processo de impeachment no STF
O processo de impeachment contra um ministro do STF é iniciado com uma denúncia protocolada no Senado Federal. Após a apresentação, a petição passa por uma análise técnica da Advocacia do Senado antes de ser encaminhada para deliberação. O julgamento final é presidido pelo Presidente do STF e a condenação exige a aprovação de dois terços dos senadores. A Constituição Federal prevê que crimes de responsabilidade, definidos na Lei nº 1.079 de 1950, podem levar à perda do cargo e à inabilitação para o exercício de funções públicas. Apesar de ser um mecanismo previsto, nunca houve a aprovação de um pedido de impeachment contra um ministro do STF.
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