Lula rejeita ceder a Trump e aposta na diversificação comercial
Durante ato em Maceió, o presidente afirmou que o Brasil não recuará diante das tarifas dos Estados Unidos e defendeu ampliar relações com outros mercados.

Divulgação
Recado aos Estados Unidos
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, nesta quinta-feira, 24 de setembro de 2026, durante um ato de campanha em Maceió, que o Brasil não recuará diante das tarifas impostas pelos Estados Unidos. Para o presidente, a resposta do país será ampliar as relações comerciais com outras nações e reduzir a dependência do mercado americano.
Lula destacou o recado dado ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante tratativas entre os dois governos. “Você quer taxar, você taxa. Eu não vou ficar chorando. Vou procurar outros países para comprar as coisas desse país”, afirmou o petista, defendendo uma postura de resistência e soberania nas negociações.
Superávit e mudança de parceiros
O presidente citou recordes nas exportações brasileiras e informou um superávit anual de US$ 80 bilhões. Apesar do bom desempenho geral do setor externo, as vendas do Brasil para os Estados Unidos caíram 9% no último ano. Segundo Lula, a queda foi compensada pelo crescimento em destinos como China, Indonésia, Alemanha e Vietnã.
A diversificação comercial aparece como estratégia para reduzir a vulnerabilidade do Brasil diante de decisões unilaterais dos Estados Unidos. O mercado americano continua relevante para diversos produtos nacionais, mas o avanço em outros territórios pode ampliar a margem de negociação do país e distribuir melhor os riscos econômicos.
Camadas de tarifas
As medidas americanas foram oficializadas após meses de negociação entre os governos brasileiro e norte-americano. Em julho, os Estados Unidos confirmaram uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros com base na Seção 301, instrumento que investiga práticas comerciais consideradas desleais. Brasília contestou as justificativas apresentadas por Washington.
Uma cobrança adicional de 12,5% também foi anunciada em razão de investigação relacionada ao trabalho forçado. Em determinados produtos, essa medida pode se somar a tarifas já existentes sobre aço, alumínio e automóveis, elevando o custo de exportações brasileiras e criando incertezas para setores afetados.
As negociações ficaram paradas na segunda metade de julho. Em 21 de agosto, Lula e Trump conversaram por telefone por uma hora e vinte minutos e concordaram em retomar as tratativas, embora ainda não haja um desfecho definitivo para a disputa tarifária.
Minerais estratégicos e soberania
No mesmo discurso, Lula criticou a intenção de países estrangeiros de controlar a exploração de minerais críticos e terras-raras no Brasil. O presidente afirmou que o país pode possuir a segunda maior reserva do mundo, mas ainda conhece apenas 30% do seu território. Para ele, a riqueza mineral deve beneficiar a população brasileira.
“Não adianta o Trump dizer que quer as terras-raras. Se quiser, que tenha as dele, porque a nossa é nossa e é do povo brasileiro”, declarou. Lula também rejeitou repetir o modelo do ciclo do ouro, quando o Brasil se limitava a extrair e vender minérios sem processá-los internamente.
A proposta do governo é aumentar a participação brasileira na cadeia produtiva, transformando minerais no território nacional e ampliando a qualificação da mão de obra. A estratégia exige investimentos em pesquisa, infraestrutura, tecnologia e regulamentação ambiental. A oportunidade econômica deve ser acompanhada de controle social e responsabilidade socioambiental para evitar a simples substituição de um modelo extrativista por outro.
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