Lula e Trump devem defender posições opostas em discursos na ONU
Presidentes discursam em sequência na abertura da 81ª Assembleia Geral da ONU, com Lula defendendo multilateralismo e soberania, enquanto Trump deve priorizar a guerra contra o Irã.

Divulgação
Discursos marcam diferenças entre Brasil e EUA
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, discursam em sequência na abertura da 81ª Assembleia Geral da ONU, nesta terça-feira, 22 de setembro de 2026, em Nova York. A participação dos dois líderes ocorre após uma série de atritos entre os governos e deve evidenciar visões distintas sobre multilateralismo, segurança internacional e soberania nacional.
Por tradição, o Brasil é o primeiro país a falar na abertura do debate geral da assembleia. Trump deve ocupar a tribuna logo depois. Será a 11ª participação de Lula na abertura do encontro como presidente. Ele chega a Nova York no domingo, 20 de setembro, e retorna ao Brasil no próprio dia do discurso.
Lula defende negociação e reforma da ONU
Lula deve defender a negociação como caminho para resolver disputas internacionais, o respeito ao direito humanitário e a necessidade de reformar a ONU, especialmente o Conselho de Segurança. Também deve reforçar a cooperação entre países para enfrentar problemas globais e rejeitar interferências externas em assuntos internos.
O tema da sessão é “Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: uma ONU que atenda a todas as pessoas”. A defesa da soberania e da democracia deve ocupar posição central no discurso, em linha com a fala feita pelo presidente em 2025, quando afirmou que a democracia e a soberania brasileiras são inegociáveis.
Manifesto reforça agenda multilateral
No domingo, Brasil, Canadá, União Europeia e Quênia lançaram um manifesto conjunto pela renovação da cooperação internacional. O documento, assinado por Lula, pelo presidente do Conselho Europeu, António Costa, pelo primeiro-ministro canadense, Mark Carney, e pelo presidente do Quênia, William Ruto, alerta para o risco de a polarização e a disputa de poder definirem os próximos anos.
A iniciativa busca ampliar o apoio a reformas na ONU e em outras instituições multilaterais. Para o governo brasileiro, a agenda reforça a importância de preservar mecanismos de diálogo em um cenário internacional marcado por conflitos, pressões comerciais e disputas geopolíticas.
Trump deve priorizar o Irã
Trump deve usar sua fala para defender as operações militares dos Estados Unidos contra o Irã, iniciadas seis meses antes. A ameaça nuclear iraniana, a situação no Oriente Médio e o impacto da guerra no preço dos combustíveis nos EUA devem integrar o discurso do republicano, que apresenta sua política externa como uma estratégia de construção da paz.
À margem da assembleia, Trump também planeja se reunir pela primeira vez com Delcy Rodríguez, presidente interina da Venezuela. Delcy assumiu o poder após a captura de Nicolás Maduro, em janeiro, durante um bombardeio dos EUA em Caracas. Desde então, o governo americano reconhece sua autoridade.
Relação bilateral segue sob tensão
O encontro na ONU ocorre a menos de duas semanas do primeiro turno da eleição presidencial no Brasil, marcado para 4 de outubro. A possibilidade de críticas de Trump a Lula ou ao governo brasileiro é acompanhada com atenção pelo Planalto, especialmente depois de medidas como tarifas, sanções e questionamentos de autoridades americanas sobre o Judiciário brasileiro.
As relações entre os dois presidentes ficaram mais tensas após a imposição de tarifa de 50%, sanções contra Alexandre de Moraes e aproximações de integrantes do governo Trump com aliados de Jair Bolsonaro nos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, houve uma sequência de sete contatos entre Lula e Trump, incluindo telefonemas, encontros e uma reunião na Casa Branca, em 7 de maio.
Na semana anterior à assembleia, a Casa Branca divulgou um relatório ao Congresso acusando o governo Lula de não conter adequadamente o PCC e o Comando Vermelho. O Ministério da Justiça negou a existência de falhas. A Casa Civil avalia que o documento pode politizar o combate ao crime organizado e tentar influenciar o debate eleitoral brasileiro.
Apesar das divergências, a expectativa é de que os discursos mantenham o tom institucional. Para Lula, a tribuna deve servir à defesa do diálogo internacional. Para Trump, a oportunidade deve ser usada para justificar a política americana no Oriente Médio e pressionar adversários em temas de segurança.
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