Lula diz que bets viraram “um monstro” no governo Bolsonaro
Em propaganda eleitoral, Lula voltou a defender restrições às apostas on-line e associou a expansão do setor ao endividamento das famílias e à ausência de regras durante o governo Bolsonaro.

Divulgação
A campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a colocar as apostas on-line no centro do debate eleitoral. Na 11ª propaganda veiculada nesta segunda-feira (21), o petista afirmou que as bets se tornaram “um monstro” durante o governo Jair Bolsonaro (PL) e defendeu medidas mais rígidas para conter o avanço do setor.
Campanha associa bets ao endividamento
Com o mote “Brasil contra as bets”, o programa eleitoral relaciona o crescimento das plataformas de apostas ao aumento das dívidas entre famílias brasileiras. Lula afirmou que muitos consumidores gastam dinheiro necessário para despesas domésticas e disse que o governo atuará com mais rigor para evitar que o jogo comprometa o orçamento familiar.
Na propaganda, a campanha sustenta que “Temer liberou as bets no Brasil, mas foi no governo Bolsonaro que elas viraram um monstro”. Segundo o PT, foram quatro anos sem uma regulamentação adequada, período em que as apostas ganharam escala e passaram a ocupar espaço crescente na publicidade esportiva e na internet.
Relatos de prejuízos reforçam crítica
O vídeo também apresenta depoimentos de pessoas que dizem ter enfrentado problemas financeiros e emocionais causados pelo vício em jogos on-line. A campanha questiona se o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário de Lula na disputa por um quarto mandato, está comprometido com a proteção das famílias afetadas pelo setor.
No dia 13 de setembro, Lula recebeu no Palácio da Alvorada um grupo de oito pessoas descritas pela campanha como vítimas das bets. Após o encontro, o presidente citou o caso de um homem que realizou 1.400 transferências Pix em três meses para a mesma empresa e criticou a aparente falta de atenção das autoridades ao movimento incomum.
“Estamos passivos diante da sociedade que está se matando de dívida?”, perguntou Lula. Segundo ele, o vício em apostas pode levar à perda de controle financeiro, ao isolamento familiar e até a pensamentos de suicídio. O presidente informou que o Sistema Único de Saúde preparará programas especiais para atender pessoas dependentes dos jogos.
Governo amplia restrições ao setor
O governo federal já adotou medidas para limitar a atuação das empresas de apostas. Em abril, o partido do presidente apresentou na Câmara dos Deputados um projeto para proibir as bets em todo o país. Três meses depois, determinou que a publicidade do setor incluísse alertas sobre riscos financeiros e dependência.
A pauta também ganhou reforço de artistas e integrantes de movimentos sociais. O cantor Emicida participou de uma reunião no Palácio do Planalto sobre o tema e criticou o argumento de que o fim das apostas prejudicaria o futebol. Para os defensores da proibição, a dependência do esporte em relação às bets precisa ser reduzida gradualmente.
Perdas bilionárias e dívidas das famílias
Dados do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda e do Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento indicam que as famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões em apostas esportivas durante 2025. No mesmo período, as plataformas movimentaram R$ 350,97 bilhões em transferências Pix.
O endividamento, porém, é um problema mais amplo. Em agosto, 82% das famílias brasileiras relataram ter algum tipo de dívida, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo. O percentual permaneceu no mesmo patamar de julho, quando atingiu o nível mais alto da série histórica iniciada em 2015.
Paralelamente, o governo estuda criar um novo programa para renegociar dívidas antigas. Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, a proposta será apresentada em breve a Lula e pretende permitir que consumidores inadimplentes renegociem débitos e recuperem o acesso ao crédito. A iniciativa pode ser anunciada durante a campanha eleitoral.
Levantamentos da Secretaria de Comunicação Social indicam que a maioria da população apoia regras mais duras para as apostas on-line. A aceitação das restrições é maior entre mulheres e grupos religiosos, especialmente evangélicos, tornando o tema uma estratégia para aproximar o discurso do governo de preocupações presentes no cotidiano dos eleitores.
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