Lula anuncia medidas contra o endividamento com fiscalização do Pix e dos cartões
Governo pretende revisar regras de crédito, supervisionar o uso institucional do Pix e dos cartões e ampliar alternativas para famílias endividadas.

Divulgação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou a intenção de adotar novas medidas para conter o endividamento das famílias e aumentar a fiscalização sobre a atuação dos bancos no uso do Pix e dos cartões de crédito. A proposta integra o terceiro programa do governo dedicado ao tema e deve ser detalhada nesta sexta-feira, em São Paulo.
Crédito facilitado e fiscalização dos bancos
Para Lula, a facilidade de obter cartões e realizar pagamentos sem o uso de dinheiro físico contribui para que as pessoas gastem sem perceber a dimensão do comprometimento da renda. O governo pretende rever regras relacionadas à concessão de crédito e acompanhar como instituições financeiras utilizam o sistema de pagamentos instantâneas para oferecer limites, empréstimos e outras modalidades.
A proposta não prevê o fim do acesso ao crédito. A diferenciação pretendida é entre operações que financiam bens, melhorias na casa ou atividades que possam melhorar a situação das famílias e empréstimos voltados a gastos considerados supérfluos. O objetivo é reduzir o avanço do crédito caro e do parcelamento que compromete os rendimentos sem gerar benefício equivalente.
Compra de dívidas com desconto
Outra alternativa em discussão é a aquisição, pelo governo, de dívidas de pessoas físicas que já foram reconhecidas como perdas pelos bancos ou estejam próximas dessa classificação. As operações poderiam ser compradas com fortes descontos e depois negociadas com as famílias em condições mais acessíveis.
A iniciativa busca aliviar o peso financeiro de consumidores já muito endividados, mas também tende a levantar debates sobre os custos para os bancos, o impacto nos indicadores de inadimplência e os limites da intervenção pública no mercado de crédito. A efetividade da medida dependerá do valor investido, das regras de elegibilidade e da capacidade de transformar a redução nominal das dívidas em pagamento efetivo.
Fim das bets e impacto no futebol
No mesmo discurso, Lula defendeu o fim das plataformas de apostas on-line, apresentando o setor como uma das fontes de endividamento e de problemas sociais. A medida deve ser encaminhada por uma medida provisória, que estabeleceria a proibição das bets e uma linha de crédito com juros reduzidos para clubes afetados pela perda de patrocínios.
Lula também criticou clubes que se manifestaram contra o fechamento do mercado de apostas. Segundo o presidente, as equipes recebem dinheiro dos torcedores por meio de ingressos, camisas e outros produtos, mas passam a depender de plataformas que estimulam pessoas de baixa renda a apostar. A argumentação do governo coloca o combate ao endividamento como prioridade sobre a manutenção dessa fonte de receita no futebol.
Próximos passos
O anúncio inicial indica uma combinação de fiscalização do crédito, intervenção na renegociação de dívidas e combate às apostas on-line. Ainda faltam detalhes sobre o alcance das mudanças no sistema bancário, o orçamento destinado à compra de créditos e os critérios para definir quais famílias poderão ser beneficiadas. A aprovação das propostas dependerá da tramitação no Congresso e do impacto econômico gerado pelas novas regras.
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