Gonet não presidirá sessão sobre sua atuação; entenda o rito
O Conselho Superior do Ministério Público Federal avaliará mensagens relacionadas a Paulo Gonet encontradas no celular de Daniel Vorcaro. Como o PGR é alvo do procedimento, a sessão será conduzida pelo vice-presidente Nicolao Dino.

Divulgação
O Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) analisa nesta sexta-feira (25 de setembro de 2026) o procedimento interno relacionado ao procurador-geral da República, Paulo Gonet. A pauta decorre da avaliação de mensagens localizadas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, nas quais o nome do chefe do MPF aparece citado. O colegiado deverá decidir se o material permite o arquivamento ou se oferece elementos para a abertura de investigação.
Gonet deixa a presidência da sessão
Embora presida o conselho na condição de procurador-geral, Gonet não conduzirá os trabalhos quando o tema for a própria atuação. A sessão será aberta e coordenada pelo vice-presidente, subprocurador Nicolao Dino, irmão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal. A condução por outro membro atende ao rito que afasta o envolvido da direção de um procedimento que pode resultar em investigação contra ele.
Nicolao Dino deve passar a palavra ao relator, o subprocurador-geral Francisco de Assis Sanseverino, chefe da 2ª Câmara de Coordenação e Revisão, responsável por casos criminais. Após a exposição do relatório, os demais subprocuradores votarão em ordem reversa de antiguidade no conselho.
Arquivamento ou abertura de investigação
O CSMPF é a instância máxima para avaliar eventuais crimes comuns atribuídos ao procurador-geral da República. O arquivamento será adotado se os integrantes entenderem que não há elementos suficientes para demonstrar uma relação relevante entre Gonet e Vorcaro ou para indicar a prática de irregularidade pelo PGR.
A investigação poderá ser aberta se o colegiado concluir que as mensagens, a fotografia e os demais elementos reunidos justificam a apuração formal. Nesse caso, o conselho deverá indicar um novo subprocurador-geral para conduzir os desdobramentos ligados ao caso Banco Master. A decisão de investigar representa o início de uma apuração e não uma conclusão sobre eventual responsabilidade.
Mensagens e fotografia
As mensagens extraídas do aparelho de Vorcaro mostram que Ciro Soares, seu ex-advogado, apresentava-se ao cliente como interlocutor junto ao procurador-geral e repassava comunicações atribuídas a Gonet. A PF também encontrou uma fotografia de Vorcaro e Gonet sentados à mesa durante um evento em Londres, no Reino Unido, em abril de 2024. A imagem registra ainda outros dois homens, copos associados a whisky e o PGR fumando um charuto.
A PF atribui a Ciro Soares o envio da fotografia a Vorcaro em 19 de junho de 2025, acompanhado da expressão “PG me mandou”, cujas iniciais remetem ao nome de Paulo Gonet. A Procuradoria-Geral da República confirmou a autenticidade da imagem e informou que o registro foi feito durante um encontro com várias autoridades.
Gonet afirma ter visto Vorcaro apenas uma vez, justamente nesse evento, e sustenta que não manteve relação de proximidade com o fundador do Banco Master. Para o procurador-geral, os elementos analisados até agora não indicam irregularidade em sua atuação. Caberá agora ao CSMPF avaliar o contexto do material e definir o encaminhamento do procedimento.
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