Funcionário do Planalto é alvo de notícia-crime por disseminar fake news sobre padroeira do Brasil
Coordenador da Secom republicou boatos atribuindo a Flávio Bolsonaro intenção de retirar título de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do país, gerando pedido de prisão.

Divulgação
Um coordenador-geral da Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República, George Marques da Silva e Silva, republicou ao menos 10 mensagens contendo notícias falsas que associavam o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à intenção de retirar o título de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil. As publicações ocorreram na última sexta-feira (25.set.2026) e motivaram a campanha do senador a protocolar uma notícia-crime junto ao Ministério Público Eleitoral (MPE) em Brasília, solicitando a prisão preventiva do funcionário público.
Campanha de Flávio Bolsonaro pede prisão de funcionário
A defesa de Flávio Bolsonaro anexou ao processo uma ata notarial digital que comprova, segundo a campanha, quatro republicações feitas pelo coordenador no mesmo dia, incluindo mensagens que insinuavam perseguição à Igreja Católica. O Poder360 identificou um total de 10 postagens propagando a desinformação. O boato, segundo a notícia-crime, teria alcançado mais de 21 milhões de visualizações em diversas redes sociais, como X, Facebook, Instagram, TikTok e YouTube, com a participação de mais de 1.600 contas.
Narrativa inverídica e origem do boato
A narrativa se baseava em um Projeto de Lei nº 2.623 de 2007, de autoria do ex-deputado Professor Victório Galli, que visava restringir a referência à padroeira aos católicos apostólicos romanos. A proposta foi rejeitada e arquivada pela Câmara dos Deputados em agosto de 2008, anos antes da entrada de Flávio Bolsonaro no Congresso Nacional. O ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), já havia classificado a narrativa como "notoriamente inverídica" e determinado a remoção do conteúdo das plataformas digitais.
Posicionamentos e esclarecimentos
George Marques, questionado sobre as republicações, declarou que mantém um perfil pessoal voltado a "política e humor" e que, caso tenha republicado o conteúdo, teria sido um "erro involuntário" ao compartilhar postagens em sequência, sem que isso significasse concordância com o teor. A Secom, por sua vez, emitiu nota oficial afirmando que a manifestação foi feita em perfil pessoal e não reflete o posicionamento institucional, mas considerou "inadequado" o uso de contas pessoais de forma a gerar confusão com manifestações institucionais. Flávio Bolsonaro negou qualquer proposta contra a padroeira, respeita todas as manifestações religiosas e atribuiu a criação da história ao PT como tática de campanha.
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