Eleições de 2026: esquerda aposta em transformação digital após 1º turno
Levantamento aponta aumento expressivo nas interações digitais do presidente Lula em comparação com Flávio Bolsonaro após a primeira etapa da eleição, sinalizando uma nova estratégia de comunicação para 2026.

Divulgação
As próximas eleições presidenciais, em 2026, podem ser marcadas por uma significativa virada digital na estratégia da esquerda brasileira. Uma análise aprofundada realizada pela Bites, agência especializada em dados, revela que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) experimentou um crescimento notável em suas interações nas redes sociais após o primeiro turno das eleições. Entre 5 e 17 de outubro de 2026, Lula acumulou impressionantes 110,7 milhões de interações em plataformas como X, Instagram, Facebook, TikTok e YouTube. Em contrapartida, o senador Flávio Bolsonaro (PL) registrou 31,3 milhões de interações no mesmo período, uma diferença de 3,5 vezes a favor do atual presidente.
Mudança de rumo digital
Os dados da Bites sugerem uma reorientação estratégica da esquerda no ambiente digital logo após o primeiro turno. Antes da votação, o engajamento de Lula e Flávio Bolsonaro apresentava níveis mais próximos. No entanto, a partir de 16 de agosto de 2026, data oficial de início da campanha presidencial, Lula havia somado 83,8 milhões de interações e conquistado 1,4 milhão de novos seguidores. Flávio Bolsonaro, por sua vez, obteve 73,7 milhões de interações e um aumento de 2,4 milhões de seguidores nesse intervalo.
Novos rostos e mobilização online
A agência de análise de dados destaca que a reação de Lula ao resultado do primeiro turno abriu espaço para o surgimento de novos atores digitais dentro do espectro da esquerda. Esses nomes, que teriam sido menos proeminentes na comunicação governamental nos últimos quatro anos, ganharam destaque. Entre eles, a análise cita o deputado André Janones (Rede-MG) e a deputada eleita Ana Elisa (PT-MG). Além disso, o levantamento aponta um desempenho superior de perfis associados à esquerda em comparação com os apoiadores de Flávio Bolsonaro desde 5 de outubro.
O poder dos influenciadores e a pressão digital
Em termos de influenciadores políticos, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) é apontado pela Bites como o principal nome da direita, com 40 milhões de seguidores e 42,5 milhões de interações desde o início da campanha. Contudo, André Janones, com 17,5 milhões de seguidores, adicionou 3,7 milhões nesse período e registrou 50,2 milhões de interações, superando Ferreira nesse indicador. Janones também é creditado pela idealização do canal Exército do Lula no WhatsApp, que congrega 5 milhões de usuários dedicados à mobilização de apoiadores e à contestação da campanha de Flávio Bolsonaro. A Bites conclui que essa mobilização digital pode representar um desafio à hegemonia da direita, embora a dimensão e o alcance dessa pressão ainda sejam incertos.
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