Congressistas dos EUA pressionam Trump por suposta interferência em eleições no Brasil
Um grupo expressivo de congressistas democratas e o senador independente Bernie Sanders enviou uma carta ao Departamento de Estado dos EUA, expressando profunda preocupação com uma campanha de interferência e desestabilização da administração Trump nas eleições presidenciais brasileiras de outubro. O documento cobra respeito ao processo eleitoral, reconhecimento dos resultados e exige respostas sobre diversas medidas que, segundo eles, visam minar a democracia do país.

Divulgação
A atenção internacional se volta para o Brasil em um momento crucial. Um grupo de 30 deputados democratas norte-americanos e o senador independente Bernie Sanders formalizaram, em uma carta enviada nesta quinta-feira (24 de setembro de 2026), sua preocupação com o que classificam como uma campanha de interferência e desestabilização promovida pelo governo de Donald Trump nas vésperas da eleição presidencial de outubro no Brasil. O documento foi endereçado ao Departamento de Estado dos Estados Unidos, solicitando explicações e um compromisso claro com a democracia brasileira.
Os parlamentares expressam um alerta sobre um "esforço coordenado" da administração norte-americana para pressionar as instituições brasileiras e enfraquecer o sistema democrático do país. A carta faz um apelo explícito para que o governo dos EUA respeite o processo eleitoral, reconheça prontamente o resultado certificado pelas urnas e mantenha relações diplomáticas normais com o candidato eleito. Tal posicionamento ecoa solicitações anteriores feitas por Bernie Sanders em 2022 e uma resolução aprovada pelo Senado dos EUA no mesmo ano, ambas em apoio à integridade do pleito brasileiro.
Aumento da pressão e medidas questionadas
O documento detalha uma série de medidas supostamente adotadas pela gestão Trump desde o início de seu segundo mandato, em 2025. Entre as ações citadas, os congressistas apontam para a adoção de tarifas e sanções econômicas em um período em que o Supremo Tribunal Federal (STF) brasileiro estava julgando o ex-presidente Jair Bolsonaro. Na avaliação dos parlamentares, essas medidas buscavam exercer pressão sobre as autoridades brasileiras em um processo judicial em andamento, comprometendo a autonomia da justiça.
Outros pontos levantados incluem a polêmica nomeação de Darren Beattie como assessor sênior para assuntos relacionados ao Brasil. Beattie é classificado pelos congressistas como um extremista de direita, cujas declarações anteriores demonstrariam oposição às instituições democráticas brasileiras. A carta também recorda a reunião de Flávio Bolsonaro com Donald Trump na Casa Branca, onde o senador brasileiro teria solicitado a classificação do PCC (Primeiro Comando da Capital) e do Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras. Dois dias depois, o Departamento de Estado anunciou essa classificação, o que os congressistas temem que possa ser usada como pretexto para futuras ações contra instituições brasileiras.
A preocupação se estende à tentativa de entrada no Brasil de dois funcionários do Departamento de Estado, Riley M. Barnes e Samuel Samson, que, segundo os congressistas, pretendiam questionar a integridade do sistema eleitoral brasileiro. Após o governo brasileiro negar os vistos aos dois, a administração Trump revogou o visto da então embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Viotti, em um ato de retaliação que aprofundou a tensão diplomática. Adicionalmente, a carta questiona a aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro do STF Alexandre de Moraes, exigindo que o Departamento de Estado justifique os critérios utilizados para tal decisão, que teve grande repercussão.
Exigência de compromisso e prazo para respostas
Ao final da carta, os congressistas democratas perguntam diretamente se a administração Trump respeitará o processo eleitoral brasileiro e reconhecerá o resultado certificado das eleições de 2026, independentemente do candidato escolhido pelos eleitores. Eles também cobram explicações detalhadas sobre a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas, a revogação do visto da embaixadora brasileira e os fundamentos para a aplicação da Lei Magnitsky a Moraes.
Os parlamentares norte-americanos estabeleceram o prazo de até 1º de outubro de 2026 para que o Departamento de Estado apresente as respostas solicitadas. Até o momento, o governo Trump não se manifestou publicamente sobre a carta. No Brasil, o Palácio do Planalto tem monitorado de perto a possível atuação dos Estados Unidos desde o início do ano, especialmente após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursar na Assembleia Geral da ONU sobre a necessidade de impedir interferências externas em processos eleitorais, defendendo a soberania dos países. Recentemente, Lula também se reuniu com Bernie Sanders em Nova York, reforçando a convergência de preocupações.
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