O golpe do repetidor: como um técnico da Vivo usou dados de cliente para aplicar golpe e cancelar serviços
A arquiteta Stephanie Ribeiro, de 32 anos, virou alvo de um esquema suspeito envolvendo um técnico terceirizado da Vivo. Durante a instalação de serviços de telecomunicações em sua residência em São Paulo, o profissional ofereceu a venda de um repetidor de sinal. Ao se recusar a pagar — já que a instalação de serviços básicos já incluía cobertura adequada —, Stephanie percebeu que a chave Pix fornecida pelo técnico apontava para uma conta pessoal, não para a operadora. Ao investigar, descobriu que não apenas o pagamento seria desviado, mas que todos os seus serviços haviam sido cancelados sem seu consentimento.
Represália após denúncia: serviços cancelados e ameaças
Após Stephanie relatar o golpe ao gerente da Vivo, o técnico passou a ameaçá-la pessoalmente, chegando a se dirigir à sua residência. O caso, amplamente compartilhado no Instagram, expôs uma prática recorrente: o uso indevido de dados de clientes por terceirizados para aplicar golpes e, em seguida, retaliar quem reclama. Stephanie não foi a única vítima: outros consumidores relataram nas redes terem passado pela mesma situação, com relatos de cobranças indevidas e cancelamentos forçados de serviços após tentativas de fraude.
Vivo responde com nota de desculpas e promessa de apuração
Em nota enviada ao Tecnoblog, a Vivo admitiu a falha e informou ter restabelecido os serviços de Stephanie. A empresa afirmou que iniciou uma “apuração rigorosa junto à empresa parceira responsável pelo técnico envolvido” e que adotará “todas as medidas cabíveis”. Além disso, a operadora entrou em contato com a consumidora para lamentar o ocorrido e reforçar que o caso não condiz com seus valores. No entanto, a velocidade da resposta contrasta com relatos de outros clientes, que afirmam terem tido suas queixas ignoradas pela empresa.
Como funcionam os golpes de técnicos terceirizados?
Especialistas em telecomunicações apontam que o esquema explorado pelo técnico da Vivo segue um padrão conhecido no mercado: a terceirização da mão de obra sem supervisão adequada. Técnicos autônomos ou de empresas parceiras muitas vezes têm acesso livre às residências dos clientes, o que facilita a aplicação de golpes. Em casos como o de Stephanie, o criminoso se aproveitou da confiança inerente ao serviço para oferecer produtos ou serviços não solicitados — no caso, um repetidor de sinal — e, ao ser descoberto, usou seu acesso para prejudicar a vítima. “A Vivo terceiriza serviços há anos, e a falta de fiscalização cria brechas para esse tipo de conduta”, explica o engenheiro de telecomunicações Carlos Mendes.
O que dizem os especialistas sobre segurança em telecomunicações?
Para o advogado especializado em direito do consumidor, Dr. Ricardo Almeida, a responsabilidade da Vivo é clara: “A operadora responde solidariamente pelos atos de seus terceirizados. Se um funcionário ou prestador de serviço age de má-fé, a empresa deve arcar com as consequências, inclusive indenizações”. Almeida também recomenda que os consumidores sempre verifiquem a identidade do técnico antes de permitir o acesso à residência, além de registrar todas as interações por escrito. “Em casos de golpe, a prova documental é fundamental para acionar a Justiça”, alerta.
Vivo já teve casos semelhantes? Histórico de falhas no atendimento
Este não é o primeiro episódio envolvendo práticas duvidosas em serviços terceirizados da Vivo. Em 2022, a Anatel multou a operadora em R$ 2 milhões após denúncias de cobranças indevidas e cancelamentos irregulares de serviços. Na ocasião, a agência reguladora identificou que a empresa não fiscalizava adequadamente suas parceiras, permitindo que golpes como o do repetidor se repetissem. “A Vivo tem um histórico de negligência quando o assunto é terceirização”, comenta a jornalista especializada em tecnologia, Ana Clara Santos. “Embora a empresa alegue ter um canal de denúncias, na prática, muitos consumidores relatam dificuldade para serem ouvidos.”
Como se proteger de golpes em instalações de telecomunicações?
1. Verifique a identidade do técnico: Peça para ver o crachá da Vivo e, se possível, entre em contato com a empresa para confirmar a visita.
2. Nunca aceite pagamentos via Pix para serviços não contratados: A Vivo só deve receber pagamentos via Pix para CNPJ da própria empresa.
3. Registre tudo: Grave áudios ou tire fotos se sentir que está sendo pressionado.
4. Denuncie: Reclame no site da Anatel (www.anatel.gov.br) ou no Procon de seu estado.
5. Fique atento a cancelamentos: Se seus serviços pararem de funcionar sem aviso prévio, entre em contato imediatamente com a Vivo para verificar irregularidades.
O que esperar da Vivo após este caso?
Apesar da nota oficial, ainda não há informações concretas sobre punições ao técnico ou à empresa parceira. A Vivo afirmou que a apuração está em andamento, mas não detalhou se medidas administrativas ou judiciais serão tomadas. Para especialistas, a operadora precisa não apenas resolver o caso de Stephanie, mas implementar mudanças estruturais para evitar novos episódios. “A terceirização não pode ser uma desculpa para a falta de controle”, defende Mendes. Enquanto isso, Stephanie aguarda uma resposta definitiva da Vivo e estuda medidas legais para garantir que não seja prejudicada novamente.
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