Portal de Notícias
Backstage Geek

SLC Agrícola adota estratégia de cautela para safra 2026/27 diante de El Niño e alta nos custos de fertilizantes

Roberto Neves
15 de maio de 2026 às 15:23
Compartilhar:
SLC Agrícola adota estratégia de cautela para safra 2026/27 diante de El Niño e alta nos custos de fertilizantes
Divulgação / Imagem Automática

A SLC Agrícola, uma das maiores produtoras de grãos e oleaginosas do Brasil, está se preparando para enfrentar um cenário desafiador na safra 2026/27. Com a chegada do fenômeno El Niño e a manutenção dos preços elevados dos fertilizantes — especialmente os nitrogenados —, a empresa anunciou uma estratégia agressiva de mitigação de riscos por meio de uma gestão personalizada de cada fazenda e cultura.

Ajuste fino na aplicação de insumos para reduzir custos

Durante uma teleconferência para discutir os resultados recentes, o CEO da SLC, Aurélio Pavinato, detalhou como a companhia planeja otimizar o uso de fertilizantes para conter despesas sem comprometer a produtividade. “Estamos analisando fazenda por fazenda para ter mitigação de riscos de produção. A estratégia é trabalhar cada unidade, ajustar o pacote de fertilizantes e buscar economizar, principalmente em áreas com riscos climáticos”, afirmou.

A abordagem inclui a redução do número de aplicações em regiões onde as projeções indicam menor volume de chuvas — um cenário típico em anos de El Niño no Brasil, que tende a afetar o Centro-Oeste, principal polo produtor de grãos do país. “Em anos de El Niño, normalmente chove menos no Centro-Oeste, então vamos tomar medidas mais cautelosas”, explicou Pavinato.

El Niño e a guerra no Irã: dois fatores que pressionam a safra

O fenômeno climático El Niño, caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico, já é um velho conhecido dos produtores brasileiros. Sua influência no clima brasileiro costuma trazer secas para o norte e o Centro-Oeste do país, enquanto o Sul e a Argentina registram chuvas acima da média. Para a SLC, esse cenário exige uma readequação dos ciclos de plantio e colheita, além de um planejamento mais robusto para evitar perdas.

Já os fertilizantes nitrogenados, essenciais para o desenvolvimento das culturas, enfrentam um novo desafio: a guerra no Irã, que interrompeu o fornecimento de gás natural — matéria-prima crucial para a produção desses insumos. Como consequência, os preços desses produtos permaneceram elevados, pressionando ainda mais os custos de produção no setor agrícola.

O que muda na safra 2026/27?

A SLC já iniciou o processo de ajustes para o plantio da soja, cuja safra 2026/27 deve começar em meados de setembro. A empresa está reforçando suas operações para garantir que as áreas de risco sejam monitoradas de perto, com a possibilidade de reduzir o uso de fertilizantes em regiões onde o clima se mostrar mais adverso.

Além disso, a companhia sinalizou que pode adotar tecnologias de precisão agrícola para otimizar o uso de recursos, como drones e sensores, que ajudam a identificar o momento ideal para aplicação de insumos. “A ideia é não apenas economizar, mas também preservar a produtividade”, ressaltou Pavinato.

O impacto no mercado e o futuro do setor

A estratégia da SLC reflete um movimento mais amplo no setor agropecuário brasileiro, que vem buscando alternativas para lidar com a volatilidade climática e os custos de produção. Com a safra 2026/27 se aproximando, a expectativa é de que outras grandes produtoras também adotem medidas semelhantes para evitar prejuízos.

Para os produtores rurais, a lição é clara: a adaptação será fundamental. “Quem não se preparar para esse cenário pode ter reduções significativas na produtividade”, alerta o CEO da SLC. Enquanto isso, o governo brasileiro segue discutindo projetos de lei para incentivar a produção nacional de fertilizantes, uma vez que a dependência de importações — especialmente de insumos nitrogenados — se tornou um ponto crítico para a segurança alimentar do país.

O que você achou desta notícia?

Sua avaliação ajuda nossa redação a entregar o melhor conteúdo.