Portal de Notícias
Economia

Rio negocia queda de até 6,5% no preço do gás e alivia pressão inflacionária no estado

Roberto Neves
18 de maio de 2026 às 09:22
Compartilhar:
Rio negocia queda de até 6,5% no preço do gás e alivia pressão inflacionária no estado
Divulgação / Imagem Automática

O governo do Rio de Janeiro fechou um acordo histórico com a Petrobras e a concessionária Naturgy para reduzir o preço do gás natural no estado, beneficiando cerca de 1,5 milhão de motoristas, indústrias e consumidores residenciais. A redução média de 6% no custo do gás industrial e de 2,5% no gás de cozinha (GLP) — aliada à queda de 6,5% no GNV — chega em um momento crítico, marcado pela escalada internacional dos preços de derivados de petróleo.

Um alívio para o bolso do consumidor e para a inflação estadual

A medida, homologada pela Agência Reguladora de Energia e Saneamento Básico do Estado do Rio (Agenersa) no dia 14 de julho, será publicada no Diário Oficial na próxima semana e entrou em vigor após o cálculo final das tarifas pela Naturgy, que considerou variáveis como custo de produção, demanda e regulamentação. Segundo a Secretaria de Estado de Energia e Economia do Mar, o acordo tem “efeito potencial de política pública energética”, capaz de conter pressões inflacionárias no estado.

Rio: a capital brasileira do gás natural

O estado não apenas lidera a produção nacional de gás natural — responsável por 76,9% da oferta brasileira em 2025, segundo a ANP — como também concentra a maior frota de veículos movidos a GNV do país. Atributos como a concessão de descontos no IPVA para esses motoristas e a proximidade com as principais bacias produtoras (como a de Santos e Bacia de Campos) tornam o Rio um laboratório para políticas de preço de energia. A redução dos custos agora é vista como um estímulo à competitividade industrial e ao poder de compra da população.

A geopolítica do petróleo pesa no preço final

A negociação ocorre em um cenário de tensão global: a guerra no Irã, que afeta o Estreito de Ormuz — passagem de 20% do petróleo e gás mundial — já elevou os preços internacionais de derivados. No Brasil, a Petrobras, maior player do setor, tem sofrido pressões para segurar os custos, especialmente após o governo federal reduzir impostos sobre combustíveis em 2022. No Rio, a estratégia é clara: usar o peso da produção local para negociar condições mais vantajosas, mesmo em meio à instabilidade externa.

Próximos passos: transparência e fiscalização

Antes de a nova tarifa entrar em vigor, a Agenersa deve validar os cálculos da Naturgy, garantindo que a redução seja efetivamente repassada aos consumidores. A secretaria estadual destacou que o acordo é um “exemplo de regulação inteligente”, mas especialistas alertam: o impacto real dependerá da manutenção dos preços internacionais e da capacidade de o estado equilibrar incentivos fiscais com a sustentabilidade do setor.

O que você achou desta notícia?

Sua avaliação ajuda nossa redação a entregar o melhor conteúdo.