A Renault deu um passo atrás no segmento de elétricos acessíveis no Brasil ao retirar de linha o Kwid E-Tech, modelo que já foi considerado um dos precursores na categoria com preço abaixo de R$ 100 mil. Lançado em 2022, o hatch elétrico passou por uma atualização visual em outubro de 2025, mas não resistiu ao mercado por muito tempo: a versão pós-facelift permaneceu disponível por menos de sete meses.
A derrocada de um pioneiro em sete meses
O Kwid E-Tech chegou ao Brasil como uma aposta ousada: trazer um carro 100% elétrico para um público que, até então, tinha poucas opções abaixo da barreira dos R$ 150 mil. Com bateria de 26,8 kWh e autonomia estimada em cerca de 260 km (ciclo WLTP), o modelo surpreendeu pela leveza — apenas 977 kg em ordem de marcha —, graças ao posicionamento inteligente das baterias sob os bancos traseiros e ao túnel central elevado, típico de modelos a combustão. Mesmo com 65 cv e 11,5 kgfm de torque, a agilidade era notável, comparável a um Mobi Trekking.
A Renault não detalhou os motivos da descontinuação, mas o timing levanta suspeitas. Em setembro de 2025, a marca anunciou uma parceria com a chinesa Geely para atuar no mercado brasileiro, e o Geely EX2 — lançado recentemente e com preço inicial a partir de R$ 120 mil — surge como um forte candidato a preencher o vazio deixado pelo Kwid. O hatch da Geely oferece preços próximos aos do BYD Dolphin Mini, mas com espaço interno comparável ao BYD Dolphin, uma vantagem competitiva em um segmento cada vez mais disputado.
O que o Kwid E-Tech deixou de legado
Apesar de sua curta vida comercial, o Kwid E-Tech marcou pontos importantes no segmento. Seu pacote de segurança, por exemplo, era acima da média para o preço: seis airbags, assistências ADAS (como frenagem autônoma de emergência, alerta de permanência em faixa e reconhecimento de placas), sensor de fadiga e controle adaptativo de velocidade — recursos que só são encontrados em modelos mais caros no Brasil, como o Polo Track ou Argo. Esses diferenciais reforçavam a proposta de um carro elétrico não apenas acessível, mas também seguro e tecnológico.
Outro ponto interessante era sua identidade visual. Após a atualização de outubro de 2025, o Kwid ganhou traços mais modernos e uma personalidade própria, mesmo mantendo suas dimensões compactas (3,70 m de comprimento, 1,58 m de largura e 1,53 m de altura). A Renault conseguiu, com poucos recursos, fazer o modelo parecer maior do que realmente era, um truque de design que agradou parte do público.
O futuro dos elétricos baratos: Geely EX2 vs. BYD Dolphin Mini
A saída do Kwid E-Tech abre uma lacuna no mercado que dificilmente passará despercebida. O Geely EX2, com preço inicial de R$ 120 mil, surge como o principal substituto, oferecendo uma proposta semelhante em termos de custo-benefício. No entanto, a concorrência é acirrada: o BYD Dolphin Mini, que também compete nessa faixa de preço, já conquistou uma fatia considerável do mercado com seu design arrojado e autonomia superior.
A Renault, por sua vez, pode estar optando por uma estratégia mais focada em modelos de maior valor agregado, como o Kangoo E-Tech, ou mesmo aguardando o lançamento de novas tecnologias para relançar uma versão mais competitiva do Kwid no futuro. Enquanto isso, os consumidores que buscavam um elétrico abaixo de R$ 100 mil agora precisam se contentar com opções mais caras ou aguardar por novidades.
O fim do Kwid E-Tech é um lembrete de que, no mercado de elétricos, a acessibilidade ainda é um desafio. Modelos como o Geely EX2 e o BYD Dolphin Mini prometem preencher esse espaço, mas a batalha pela liderança no segmento de elétricos baratos está longe de terminar.
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