O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) intensificou as ações para evitar um colapso sanitário nas fazendas brasileiras. Entre os dias 18 e 22 de maio, o governo liberou mais 12,37 milhões de doses de vacinas contra clostridioses, um grupo de doenças que, segundo especialistas, pode dizimar rebanhos inteiros em questão de dias. A medida chega em um momento crítico, com a chegada das chuvas e o aumento das atividades de manejo no campo, quando os animais estão mais suscetíveis a infecções.
A parceria governo-indústria para recompor estoques em crise
Dos 12,37 milhões de doses liberadas nesta semana, 6,4 milhões foram produzidas nacionalmente e outras 5,96 milhões importadas — um esforço conjunto para recompor os estoques que haviam chegado a níveis críticos. Desde março, o Mapa já disponibilizou 39 milhões de doses, mas a demanda reprimida ainda preocupa produtores e veterinários. “A escassez não está resolvida, mas essa liberação alivia a pressão imediata”, afirmou um técnico da pasta que preferiu não ser identificado.
Clostridioses: o inimigo silencioso que pode fechar fazendas
As clostridioses são causadas por bactérias do gênero Clostridium, presentes no solo, na água e até no trato digestivo dos animais. Doenças como tétano, botulismo e enterotoxemia têm progressão rápida e mortalidade altíssima, gerando prejuízos que vão além da perda de animais: redução na produtividade, aumento de custos veterinários e riscos sanitários que afetam toda a cadeia pecuária.
Em sistemas intensivos de produção, como confinamentos e recria a pasto, a vacinação é a principal — e muitas vezes única — ferramenta de prevenção. “Um surto de clostridiose em uma propriedade pode significar a quebra da safra anual de leite ou carne”, explica um zootecnista ouvido pela reportagem. Segundo estimativas do setor, cada caso não controlado pode gerar perdas de até R$ 50 mil por animal em casos graves.
O alerta que não pode esperar
A crise atual foi agravada pela combinação de fatores: a demanda sazonal por vacinas no início do ano, a falta de planejamento em algumas indústrias e a dependência de insumos importados. “Alguns produtores estão adiando vacinações por não encontrarem os imunizantes. Isso é um tiro no pé”, alerta um médico veterinário de Goiás, estado que registrou aumento de 20% nas notificações de doenças clostridiais nos últimos seis meses.
Para os próximos meses, o Mapa promete manter o ritmo de liberações, mas especialistas cobram soluções estruturais. “É preciso investir em produção nacional e estoques estratégicos. A pecuária brasileira não pode ficar refém de crises pontuais”, defende um representante da Associação Brasileira de Pecuária de Corte (ABCC).
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