Mato Grosso não apenas manteve, como ampliou sua liderança na balança comercial brasileira no primeiro quadrimestre de 2026. Segundo dados do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), o estado registrou um superávit comercial de US$ 11,05 bilhões entre janeiro e abril — o maior resultado entre todas as unidades federativas do país. O desempenho reforça a posição estratégica do estado na economia nacional, especialmente em um cenário de desafios globais para as exportações.
Doze anos de protagonismo: Mato Grosso já respondia por 40% do superávit brasileiro em 2025
O resultado não é uma exceção, mas uma consolidação da trajetória de Mato Grosso. Em 2025, o estado já havia atingido um superávit comercial de US$ 27,57 bilhões, equivalente a 40,50% do saldo comercial total do Brasil naquele ano. A coordenadora de Desenvolvimento Regional do Imea, Maria Muniz, destaca que o crescimento em 2026 reflete a centralidade do estado para as exportações nacionais.
“O resultado mostra como Mato Grosso segue sendo um dos principais motores das exportações brasileiras, reforçando a relevância do estado para a sustentação das exportações nacionais e para a entrada de moeda estrangeira na economia brasileira”, afirmou Muniz. Segundo ela, o desempenho do agronegócio mato-grossense foi determinante para esse cenário, impulsionado pelas exportações de soja, milho e carne bovina.
Agro lidera tanto nas exportações quanto na geração de empregos no estado
O boletim mensal do Imea, publicado em 11 de maio, revela que o setor não apenas impulsiona a balança comercial, mas também é um pilar para o mercado de trabalho em Mato Grosso. No final de 2025, o agronegócio contabilizava 437.174 empregos formais. Em março de 2026, esse número avançou para 444.218 postos, um crescimento de 1,61% — ou 7.044 novas vagas criadas em apenas três meses.
Ao todo, o estoque de empregos formais em Mato Grosso atingiu 1.183.553 vínculos em março de 2026. Desse total, o agronegócio representa 37,53% dos postos de trabalho do estado, demonstrando sua capacidade de absorção de mão de obra mesmo em um contexto de modernização e automação do campo.
Soja, milho e carne bovina: os três pilares do superávit mato-grossense
Os números revelam que o agronegócio mato-grossense não depende de um único produto para sustentar sua liderança. No entanto, três commodities se destacam nas exportações do estado:
- Soja: Principal cultura de exportação, com escoamento para a China, países da Europa e Oriente Médio.
- Milho: Segundas safra recorde, com forte demanda da Ásia e da indústria de ração animal.
- Carne bovina: O estado é um dos maiores produtores e exportadores mundiais, com mercados consolidados na Ásia e na América Latina.
Esse mix diversificado reduz a dependência de um único mercado ou produto, conferindo maior resiliência ao setor mesmo diante de flutuações de preços internacionais ou crises logísticas.
O que esperar para o restante de 2026?
Com o início da colheita da segunda safra de milho e a manutenção dos preços internacionais favoráveis para os grãos e proteínas animais, analistas do Imea projetam que Mato Grosso deve manter, ou até ampliar, sua participação no superávit comercial brasileiro nos próximos meses. No entanto, desafios como a logística de escoamento — especialmente a dependência de ferrovias e hidrovias — e a pressão por práticas sustentáveis (como a redução do desmatamento) ainda pairam sobre o setor.
Para especialistas, a capacidade de Mato Grosso de inovar em tecnologia agrícola e de ampliar parcerias comerciais será decisiva para consolidar sua posição como o estado que sustenta a balança comercial brasileira.
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