A pimenta-do-reino, especiaria que movimenta uma cadeia global de bilhões de dólares, acaba de ganhar um aliado revolucionário no campo: a primeira colhedora mecânica do mundo dedicada exclusivamente a essa cultura. Desenvolvida pela MIAC, braço tecnológico da Indústrias Colombo, a BP Master foi apresentada na Agrishow 2026 como uma solução para um dos maiores gargalos da agricultura brasileira — a escassez de mão de obra rural durante a colheita.
O desafio que motivou a inovação: mão de obra cada vez mais rara
Enquanto o Brasil se consolida como o segundo maior produtor mundial de pimenta-do-reino — com cerca de 125 mil toneladas anuais, segundo o IBGE —, a cultura ainda depende quase que inteiramente do trabalho manual. Luiz Vizeu, gerente de Relações Institucionais da Colombo, revelou que, durante o pico da safra, algumas propriedades chegam a contratar até 100 trabalhadores por dia para garantir a colheita. “Esse modelo não é mais sustentável. A mão de obra está cada vez mais escassa e cara, e a mecanização se tornou uma questão de sobrevivência para os produtores”, afirmou Vizeu durante entrevista exclusiva ao CompreRural.
Tecnologia herdada do café conilon para uma cultura promissora
A BP Master não surgiu do zero. A empresa adaptou a tecnologia já consolidada em colhedoras de café conilon — cultura na qual o Brasil é líder mundial — para atender às particularidades da pimenta-do-reino. A máquina promete reduzir significativamente o tempo de colheita e os custos operacionais, além de mitigar problemas como a sazonalidade da mão de obra. “Nós aproveitamos nossa expertise em mecanização agrícola para criar uma solução que, antes, parecia impossível”, explicou Vizeu.
Impacto econômico: de 125 mil toneladas para um futuro mecanizado
A pimenta-do-reino é um pilar do agronegócio brasileiro, com produção concentrada no Espírito Santo e Pará — responsáveis por mais de 90% da safra nacional — e também em áreas relevantes da Bahia. Além de abastecer o mercado interno, o Brasil exporta cerca de 60% de sua produção, principalmente para países asiáticos e europeus, onde a demanda pela especiaria segue em alta. Com a mecanização, especialistas preveem um aumento na competitividade do produto brasileiro no exterior, além de uma possível expansão das áreas cultivadas.
Ainda segundo dados do setor, a cultura tem ganhado espaço como alternativa de diversificação agrícola, especialmente em regiões antes dominadas pela cafeicultura. Produtores de café conilon, por exemplo, têm visto na pimenta-do-reino uma opção para reduzir riscos climáticos e otimizar o uso de terras.
O que muda para o consumidor final?
Embora a inovação prometa reduzir custos para os produtores, ainda não há previsão de impacto imediato no preço final do produto para o consumidor. No entanto, a mecanização pode garantir uma oferta mais estável da especiaria, evitando oscilações sazonais que, historicamente, afetam o mercado. Além disso, a produção em larga escala tende a baratear os custos a médio prazo.
Por enquanto, a BP Master está em fase de testes em propriedades pilotos, mas a expectativa é que ela esteja disponível comercialmente ainda em 2026. O lançamento representa não apenas um avanço tecnológico, mas um marco na modernização do agronegócio brasileiro, que há décadas busca alternativas para reduzir a dependência de mão de obra manual no campo.
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