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Política

Lula propõe proibição da IA em eleições: ‘Política é o templo da verdade’

Roberto Neves
14 de maio de 2026 às 17:33
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Lula propõe proibição da IA em eleições: ‘Política é o templo da verdade’
Divulgação / Imagem Automática

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entrou com força no debate sobre os limites da inteligência artificial (IA) nas eleições ao propor, nesta quinta-feira (14), a proibição de seu uso no período eleitoral. Durante o lançamento de unidades habitacionais do programa Minha Casa, Minha Vida em Camaçari (BA), Lula criticou o potencial da tecnologia de distorcer a realidade, especialmente em ano de eleições.

O alerta de Lula: ‘IA pode transformar políticos em mentirosos’

Em discurso marcado por críticas contundentes, Lula comparou a manipulação de imagens e vozes geradas por IA a um perigo para a democracia. “Posso colocar a cara do Wagner, posso colocar a voz do Wagner, mas não é o Wagner”, afirmou, em referência ao governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT). “Posso colocar a sua cara, mas não é você. Posso colocar você fazendo uma coisa boa ou ruim”, acrescentou.

O presidente citou o ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Nunes Marques, como exemplo de autoridade alinhada à sua posição. “Ele disse assim: ‘Vou proibir inteligência artificial dois dias antes das eleições’. E eu achei maravilhoso”, declarou, destacando a necessidade de proteger a integridade do processo eleitoral.

IA: ‘Bênção em áreas estratégicas, mas risco na política’

Em meio às críticas à IA, Lula reconheceu o potencial da tecnologia em setores como saúde, educação, ciência e tecnologia. No entanto, questionou sua aplicação na política, onde a autenticidade é fundamental. “Na eleição, as pessoas têm que votar numa coisa verdadeira, de carne e osso”, afirmou. “O que é inteligência artificial? É a maior evolução desse mundo digital. Mas, na eleição, será que é necessário?”.

Ele ainda fez um paralelo provocativo: “Você escolheria um padrinho para o seu filho pela inteligência artificial? Ou quer conhecer uma pessoa que sabe que é decente e honesta?”. A afirmação reforça sua visão de que a política deve ser um espaço de verdade, não de manipulação.

Legislativo e os desafios da regulação’

Lula sugeriu que a regulamentação da IA no contexto eleitoral deve ser discutida pelo Legislativo, com foco em evitar o uso da tecnologia para disseminar mentiras. “É importante que a gente discuta com verdade esse negócio de inteligência artificial”, afirmou, destacando que a política “é o templo da verdade” e que quem mente nela “deveria cair a língua”.

O presidente também ironizou o uso da IA para multiplicar sua presença em comícios: “Se a gente quiser, podemos fazer o Lula artificial. Fazer comício em 27 estados no mesmo dia e horário. Eu estou lá, mas não sou eu”. A fala reforça sua preocupação com a desinformação gerada por ferramentas que, embora poderosas, podem ser usadas de forma antiética.

Contexto: O debate global sobre IA e eleições’

A proposta de Lula ocorre em um cenário global de crescente preocupação com o uso de IA em processos eleitorais. Nos Estados Unidos, por exemplo, deepfakes de candidatos já foram identificados em campanhas recentes, enquanto a União Europeia discute regulamentações para limitar o uso da tecnologia em eleições.

No Brasil, o TSE tem se posicionado de forma cautelosa sobre o tema. Em 2022, o tribunal já havia editado resoluções para coibir a disseminação de notícias falsas, mas a regulação específica sobre IA ainda está em discussão. A fala de Lula pode acelerar esse processo, especialmente diante das eleições municipais de 2024.

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