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Economia

China acelera abertura para carne brasileira: 33 novos frigoríficos brasileiros na fila para exportação em 2026

Roberto Neves
20 de maio de 2026 às 14:26
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China acelera abertura para carne brasileira: 33 novos frigoríficos brasileiros na fila para exportação em 2026
Divulgação / Imagem Automática

Em um movimento que pode redesenhar o mapa das exportações brasileiras de proteína animal, o Ministério da Agricultura formalizou nesta semana, em Pequim, o pedido para habilitar 33 novos frigoríficos nacionais junto à administração chinesa. A lista, entregue durante audiência entre o ministro André de Paula e a ministra Sun Meijun (GACC), inclui 20 plantas especializadas em carne bovina, 11 em aves e duas em suínos — todas já aprovadas em conformidade técnica e sanitária, segundo protocolos chineses.

O passo diplomático que pode destravar bilhões em exportações

O envio do portfólio não é apenas mais uma rodada de negociações comerciais. Trata-se de um acordo de intenções com lastro institucional: as unidades constam no sistema *single window* da China, plataforma digital que integra os trâmites de importação. O encontro entre os ministros serviu como selo político necessário para que o processo de credenciamento avance rumo à efetivação das compras ainda em 2026. “Esse é um passo estratégico para diversificar nossos parceiros e reduzir a dependência de mercados tradicionais”, afirmou uma fonte do ministério ouvida sob condição de anonimato.

Cotas chinesas e o risco de ‘tudo ou nada’ para o boi

Embora o otimismo domine o setor, especialmente entre os criadores de gado, a recente implementação de cotas de importação para carne bovina pela China — anunciada neste ano — impõe um cenário de incerteza. Especialistas ouvidos pela reportagem alertam que os novos credenciamentos podem não se traduzir automaticamente em mais exportações. “A China opera com um teto rígido. Se liberar novas plantas, é provável que descredencie ou suspenda temporariamente outras já autorizadas. É uma equação de substituição”, explica um analista de mercado de São Paulo.

O setor de aves, menos pressionado pelas cotas, vê com otimismo a inclusão de 11 novas plantas na lista. “A China é o maior consumidor global de frango, e a demanda só cresce. Com mais unidades credenciadas, o Brasil pode ganhar espaço frente a concorrentes como Tailândia e Estados Unidos”, avalia um executivo de uma grande cooperativa do Sul do país.

Quem são os 33 frigoríficos na mira da China

A relação encaminhada a Pequim abrange desde cooperativas regionais até grupos multinacionais. Entre os destaques estão:

  • Marfrig e JBS: gigantes globais com plantas em Mato Grosso, Goiás e São Paulo, responsáveis por grande parte do volume atual de exportações para a China;
  • Frigoríficos menores do Centro-Oeste: como os grupos BRF (com unidades em Mato Grosso e Paraná) e Seara, que buscam ampliar sua participação no mercado asiático;
  • Plantas regionais de aves: como as do grupo Perdigão no interior de Santa Catarina, tradicional polo produtor.

Segundo dados do Ministério da Agricultura, a China já é o segundo maior destino das exportações brasileiras de carne bovina, atrás apenas dos Estados Unidos. No caso de aves, o país asiático é o principal comprador mundial do produto brasileiro. “A habilitação desses frigoríficos é um sinal de que o Brasil está disposto a investir em compliance e qualidade para manter sua posição de liderança”, declarou um representante da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

2026: o ano-chave para o agronegócio brasileiro na Ásia

O cronograma chinês para a efetivação dos credenciamentos ainda não foi divulgado, mas o mercado projeta que as primeiras autorizações devem ocorrer no primeiro semestre de 2026. A pressa se justifica pela necessidade de os frigoríficos cumprirem prazos de adequação logística e contratos já firmados com compradores asiáticos.

“Se tudo correr como esperado, podemos ver um aumento de 15% a 20% no volume de carne bovina exportada para a China nos próximos dois anos”, projeta um economista da Fundação Getulio Vargas (FGV). “Já para as aves, o crescimento pode ser ainda maior, dado o apetite chinês.”

No entanto, a sombra das cotas e a possibilidade de descredenciamentos forçados mantêm o setor em estado de alerta. “O Brasil precisa mostrar que consegue ser eficiente e confiável. Caso contrário, corre o risco de perder espaço para concorrentes como Austrália ou Nova Zelândia”, adverte um consultor de comércio exterior.

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