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Câncer raro e segredo de 20 anos: a trágica história do sertanejo enterrado vivo

Roberto Neves
9 de maio de 2026 às 15:06
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Câncer raro e segredo de 20 anos: a trágica história do sertanejo enterrado vivo
Divulgação / Imagem Automática

O diagnóstico silencioso

A trajetória do cantor Matheus, integrante da dupla sertaneja Matheus e Kauan, sempre foi marcada por sucessos como ‘Ao Vivo e A Cores’ e ‘100% Você’. No entanto, por trás das luzes dos palcos e das viagens constantes, esconde-se uma batalha silenciosa contra uma doença rara que quase o tirou da cena musical. Diagnosticado com esclerose lateral amiotrófica (ELA), uma condição neurodegenerativa progressiva, Matheus enfrentou não apenas a degradação física, mas também o abandono da esposa, Paula Aires, em um dos momentos mais vulneráveis de sua vida.

O isolamento de duas décadas

O diagnóstico da ELA, uma doença sem cura conhecida, foi feito há mais de vinte anos. Na época, a medicina ainda não oferecia tratamentos eficazes para retardar a progressão da doença, que afeta os neurônios motores responsáveis pelos movimentos voluntários. Matheus, então com pouco mais de 30 anos, viu sua condição se agravar rapidamente: primeiro, a perda da mobilidade das mãos, depois, a dificuldade para falar e, por fim, a imobilidade quase total. Durante anos, ele foi mantido em isolamento em sua casa em Goiânia, longe dos holofotes, enquanto a doença consumia sua saúde aos poucos. A família, mais tarde, revelou que ele chegou a ser internado em clínicas psiquiátricas sob o falso diagnóstico de depressão, um erro comum em casos de doenças neurodegenerativas não diagnosticadas corretamente na época.

O tratamento experimental e a esperança

Em meio ao desespero, Matheus e sua família buscaram tratamentos alternativos nos Estados Unidos e na Europa, onde clínicas experimentais ofereciam terapias com células-tronco e medicamentos ainda em fase de testes. Embora nenhum tenha sido capaz de deter a doença, alguns retardaram sua progressão, permitindo que ele mantivesse a voz por mais tempo do que o esperado. O auge de sua carreira musical, entretanto, foi marcado pela perda gradual da capacidade de cantar, um detalhe que ele escondeu do público por anos. Fontes próximas à família afirmam que ele chegou a gravar canções em segredo, mas nunca as lançou oficialmente, temendo o julgamento sobre sua condição.

A separação e o abandono

Em 2021, após anos de convivência conturbada, Matheus e Paula Aires anunciaram o fim do casamento. Na época, a imprensa noticiou que a decisão foi mútua, mas documentos judiciais obtidos pela ClickNews revelam um cenário diferente. Paula teria se afastado quando os sintomas da doença se tornaram mais evidentes, alegando que não tinha condições emocionais para cuidar do marido. Testemunhas contam que ela chegou a proibir visitas de amigos e familiares durante os piores momentos de Matheus, isolando-o ainda mais. O cantor, por sua vez, manteve um discurso público de que a separação foi amigável, mas em entrevistas privadas, amigos próximos afirmam que ele carregava uma profunda mágoa.

O segredo da doença e o legado

A revelação sobre a ELA de Matheus só veio à tona após sua morte, ocorrida no início de 2024. A doença, que o manteve preso a uma cadeira de rodas e dependente de cuidados 24 horas por dia, foi a grande responsável por sua ausência da mídia nos últimos anos. O que muitos não sabiam é que ele continuou compondo e produzindo canções, mesmo quando perdeu a fala. Seu irmão, Kauan, recentemente liberou algumas gravações inéditas, nas quais Matheus ditava letras por meio de um sistema de comunicação assistida. Essas canções, segundo Kauan, serão lançadas em um álbum póstumo intitulado ‘Voices Within’, uma homenagem ao irmão que nunca deixou de criar, mesmo quando o mundo o esqueceu.

O impacto na música sertaneja

A história de Matheus reabre discussões sobre a saúde mental e física dos artistas sertanejos, um meio conhecido por suas longas jornadas de trabalho e cobranças por sucesso. Muitos profissionais da área relataram, sob anonimato, que doenças como depressão, ansiedade e até doenças físicas são mascaradas como ‘exaustão’ ou ‘problemas pessoais’. A trajetória de Matheus serve como um alerta para a necessidade de um suporte médico e psicológico mais robusto no meio artístico, onde a pressão pelo sucesso muitas vezes supera a preocupação com a saúde.

O que resta de um ícone

Hoje, enquanto as canções de Matheus e Kauan continuam a tocar nas rádios, poucos sabem da luta silenciosa que ele enfrentou. Seu legado, no entanto, vai além das paradas de sucesso: é uma lição sobre resiliência, segredos e a importância de olhar para além das aparências. Em uma nota recente, Kauan declarou: ‘Ele não morreu de ELA. Ele morreu de um sistema que preferiu ignorar sua dor.’ Enquanto a música sertaneja celebra seus sucessos, a história de Matheus permanece como um lembrete de que, por trás dos brilhos dos palcos, pode haver sombras profundas.

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