Venda de imóveis em Goiânia cresce 42%, quase oito vezes a média nacional
Goiânia registrou 7.219 vendas de unidades residenciais no primeiro semestre de 2026, alta de 42% sobre igual período de 2025. O ritmo foi quase oito vezes superior ao crescimento nacional, enquanto o estoque recuou e o metro quadrado valorizou 7,4%.

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O mercado imobiliário de Goiânia registrou 7.219 vendas de unidades residenciais no primeiro semestre de 2026, alta de 42% em comparação com o mesmo período de 2025. É o maior volume já registrado pela série histórica em um único semestre. O desempenho da capital foi quase oito vezes superior ao do País, onde as vendas cresceram 5,4% na mesma comparação.
Vendas recordes mesmo com juros elevados
O resultado ganha relevância porque foi obtido em um cenário de financiamento mais caro. Os juros altos reduzem o poder de compra das famílias, pressionam especialmente a classe média e tendem a desacelerar decisões envolvendo crédito de longo prazo. Mesmo assim, Goiânia avançou e se consolidou como a quarta capital que mais comercializou imóveis no Brasil no período.
A permanência entre as principais praças do setor indica uma mudança estrutural no mercado local. Nos dois anos anteriores, Goiânia ocupou a terceira posição no ranking nacional. A nova colocação reforça a cidade como um dos principais centros imobiliários do País, atrás apenas de mercados maiores e de maior escala populacional.
Estoque recua com mais vendas do que lançamentos
O Valor Geral de Vendas do mercado total, incluindo unidades residenciais, horizontais e comerciais, chegou a R$ 4,1 bilhões. O resultado ficou praticamente estável diante dos R$ 4,2 bilhões registrados no primeiro semestre de 2025, ano que terminou com recorde de R$ 8,5 bilhões comercializados.
Os lançamentos somaram R$ 4,5 bilhões, abaixo dos R$ 4,8 bilhões do primeiro semestre do ano passado. No mercado total, foram oferecidas 6.606 unidades, volume 16,4% menor que o do segundo semestre de 2025, enquanto as vendas alcançaram 7.323 unidades. Como foram vendidos mais imóveis do que lançados, o estoque da capital recuou 6% em relação ao fechamento de 2025.
Metro quadrado valoriza 7,4% em seis meses
O preço médio do metro quadrado residencial chegou a R$ 11.681 entre janeiro e junho de 2026, valorização de 7,4% sobre o fim de 2025, quando o indicador estava em R$ 10.872. Em cinco anos, o preço mais que dobrou: saiu de R$ 5.687 em 2021, acumulando alta de 105%.
Se o ritmo for mantido, Goiânia pode fechar 2026 com mais um ano de valorização de dois dígitos, tendência observada desde 2020. A projeção de superar a taxa Selic chama a atenção de investidores, mas também aumenta o desafio de acesso à moradia para compradores que dependem de financiamento.
Bairros mais procurados concentram preços elevados
Nos quatro bairros de maior demanda — Marista, Oeste, Jardim Goiás e Bueno — o preço médio ficou em R$ 13.147 por metro quadrado. O Marista apresentou média próxima de R$ 14 mil. A valorização está relacionada à infraestrutura consolidada, à concentração de serviços e comércio e à proximidade dos principais eixos de acesso da cidade.
Minha Casa, Minha Vida enfrenta demanda reprimida
As vendas de unidades do Minha Casa, Minha Vida reached 2.944, crescimento de 83,4% sobre o primeiro semestre de 2025. Os lançamentos também avançaram 77,1%, reaching 2.395 unidades, mas não acompanharam plenamente a procura. Como resultado, o estoque desse segmento caiu 33,2% desde o fim do ano passado e representa apenas 17% do total disponível na capital.
O conjunto de indicadores revela um mercado aquecido, com demanda firme e menor disponibilidade de imóveis. Ao mesmo tempo, a combinação de preços em alta, juros elevados e estoque reduzido exige atenção, pois pode limitar o acesso de parte da população e aumentar a dependência de novos lançamentos, especialmente na faixa popular.
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