Trump retorna à ONU com Irã, Ia e futuro da organização em pauta
Donald Trump discursa na Assembleia Geral das Nações Unidas em um momento marcado pela guerra contra o Irã, pela tensão no mercado de energia, pelas preocupações com inteligência artificial e pelos questionamentos sobre o financiamento e a atuação da ONU.

Divulgação
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, retorna à Assembleia Geral das Nações Unidas nesta terça-feira (22) em um dos momentos mais delicados de seu mandato. A guerra contra o Irã, os impactos sociais da inteligência artificial e a redução do apoio financeiro americano à ONU devem ocupar o centro das discussões durante a semana de alto nível da organização.
Após o discurso, Trump deve se reunir com o primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, e com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez. Também estão previstos encontros com representantes do Conselho de Cooperação do Golfo, incluindo Bahrein, Kuwait, Omã, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, para tratar dos desdobramentos do conflito iraniano e dos ataques recentes à Arábia Saudita atribuídos a grupos apoiados por Teerã.
Guerra contra o Irã pressiona a agenda internacional
A política externa de Trump enfrenta crescente desgaste, especialmente entre republicanos que tentam preservar o controle das duas casas do Congresso nas eleições de meio de mandato. A Casa Branca, no entanto, sustenta que o presidente defenderá sua atuação como necessária para enfrentar ameaças globais e defender os interesses dos Estados Unidos.
O embaixador Mike Waltz, principal representante de Trump na ONU, afirmou que o discurso deve destacar a forma como o governo americano tem lidado com problemas complexos em diferentes regiões. Waltz também indicou que o presidente pode repetir críticas já feitas à organização, classificada por ele como ineficaz em temas de guerra e paz e questionada por sua atuação em questões climáticas e migratórias.
Mercado de energia segue sob tensão
O conflito com o Irã completa sete meses em um cenário de forte instabilidade no Oriente Médio. Ataques dos Estados Unidos e de Israel atingiram integrantes da cúpula iraniana, além de estruturas militares e energéticas, enquanto o bloqueio americano ao petróleo do país agravou a crise econômica em Teerã.
A passagem de navios pelo Estreito de Ormuz melhorou nas últimas semanas com apoio da Marinha dos Estados Unidos, mas o fluxo ainda permanece abaixo dos níveis anteriores à guerra. O barril de Brent segue próximo de US$ 100, patamar superior aos cerca de US$ 70 registrados antes do início do conflito.
A tensão também se estende ao Mar Vermelho. Avanços dos rebeldes Houthis do Iêmen, grupo apoiado pelo Irã, tornaram mais arriscada a circulação de petroleiros pelo Estreito de Bab el-Mandeb. Na Arábia Saudita, o fechamento de um importante oleoduto após ataques de militantes ligados a Teerã aumentou a preocupação com a segurança do abastecimento global.
Mediação do Catar busca abrir caminho para negociações
Enquanto a escalada militar continua, o Catar e outros mediadores tentam reduzir o profundo déficit de confiança entre Washington e Teerã. Majed al-Ansari, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar, afirmou que o conflito tende a terminar na mesa de negociações e alertou que a demora de um acordo aumenta o número de mortos e a destruição.
Acordo sobre a Groenlândia deve ser assinado
À margem da Assembleia Geral, o governo americano deve assinar um acordo com líderes da Dinamarca e da Groenlândia para ampliar a presença militar dos Estados Unidos na ilha. O documento foi anunciado após Trump defender, em diferentes ocasiões, a possibilidade de assumir o controle do território dinamarquês, inclusive com o uso da força.
Pelo texto, a Groenlândia continua sob soberania dinamarquesa. A primeira-ministra Mette Frederiksen afirmou que houve avanços nas conversas e que um bom acordo está ao alcance das partes, sinalizando uma tentativa de contornar a crise diplomática provocada pelas declarações de Trump.
Rússia e Ucrânia continuam no centro das preocupações
Trump também pode abordar a continuidade da guerra entre Rússia e Ucrânia, conflito que prometeu resolver rapidamente durante a campanha de 2024. A frustração do presidente americano aumentou com os ataques ucranianos a refinarias de diesel russas e com os bombardeios da Rússia contra a rede de energia da Ucrânia, ambos responsáveis por ampliar a instabilidade nos mercados e nas negociações internacionais.
A passagem de Trump pela ONU, portanto, ocorre em um cenário de múltiplas crises. Além de tentar reafirmar sua liderança global, o presidente americano precisará lidar com questionamentos sobre o rumo da guerra no Oriente Médio, o impacto da inteligência artificial, a crise energética e o papel futuro das Nações Unidas.
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