Avistamento massivo de mais de 20 baleias-jubarte em Ilhabela intriga especialistas
Um evento raro marcou o litoral norte de São Paulo com a aparição simultânea de mais de 20 baleias-jubarte em Ilhabela. O avistamento, que incluiu filhotes e grupos em comportamento reprodutivo, surpreendeu especialistas devido ao volume e à fase avançada da temporada migratória, levantando questionamentos sobre os padrões de deslocamento desses gigantes marinhos.

Divulgação
A cena rara e imponente se desenrolou nas águas de Ilhabela, litoral norte de São Paulo, neste último domingo. Em apenas oito horas, o marinheiro Leonardo Radi e um grupo de turistas foram brindados com a visão de mais de 20 baleias-jubarte, um evento que capturou a atenção de especialistas e entusiastas da vida marinha. A inusitada concentração de cetáceos, que incluiu filhotes e grupos em intensas disputas por acasalamento, ocorre em um momento considerado o final da temporada migratória, adicionando um ponto de interrogação ao já complexo padrão de deslocamento desses animais.
Concentração surpreendente em Ilhabela
O registro, feito por Radi durante um de seus passeios náuticos, contabilizou ao menos 27 exemplares identificados como baleias-jubarte, navegando rumo ao Sul. Este trajeto sugere que os gigantes marinhos já completaram sua jornada reprodutiva no Arquipélago de Abrolhos, na costa da Bahia, e estariam iniciando o caminho de volta às águas mais frias da Antártica. A observação é peculiar, visto que a temporada de avistamento, que geralmente vai de maio a outubro, costuma apresentar um fluxo ascendente das baleias para o Norte neste período, antes do retorno.
O enigma do comportamento das jubartes
As baleias-jubarte habitam primariamente as gélidas águas da Antártica e migram para o litoral brasileiro em busca de locais mais quentes para acasalar e dar à luz seus filhotes, fugindo da escassez de alimentos do inverno polar. A costa paulista, em especial o litoral norte, serve como um corredor natural durante essa travessia. Biólogos marinhos explicam que, embora a maior parte das baleias já esteja subindo para Abrolhos entre maio e final de agosto, a presença de grupos em Ilhabela nesta época, e até mesmo em comportamento competitivo, é um fenômeno que ainda intriga a comunidade científica, indicando possíveis mudanças ou variações nos padrões conhecidos.
Recordes de avistamento e o futuro da pesquisa
Este avistamento em massa não é um caso isolado e reforça uma tendência de aumento no número de registros de jubartes na costa brasileira. O projeto Baleia à Vista, uma iniciativa crucial para o monitoramento e conservação desses mamíferos, já contabilizou 631 avistamentos este ano, aproximando-se do recorde de 786 em 2023. A colaboração de profissionais como Radi, que enviam registros para análise, é fundamental para compreender melhor os hábitos e rotas desses cetáceos. A presença de uma baleia-jubarte que viajou mais de 12 mil quilômetros do Equador até Ilhabela, como registrado recentemente, sublinha a complexidade e a necessidade contínua de pesquisa para desvendar os mistérios da vida das jubartes e garantir sua proteção.
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