Fifa mira primeiro superávit em Copa do Mundo Feminina no Brasil
Com inspeções nas cidades-sede e melhorias no Castelão, Fifa aposta no legado de 2014 para tornar a edição de 2027 a primeira Copa do Mundo Feminina financeiramente superavitária.

Divulgação
A Fifa estabeleceu uma meta ambiciosa para a Copa do Mundo Feminina de 2027, que será realizada no Brasil: fazer da competição a primeira edição do torneio a registrar superávit financeiro. O objetivo foi apresentado por Thiago Jannuzzi, diretor-executivo de operações do evento, durante inspeção na Arena Castelão, em Fortaleza, no domingo, 20 de setembro de 2026.
Legado de 2014 pesa a favor do Brasil
Para a entidade máxima do futebol mundial, a estrutura deixada pela Copa do Mundo Masculina de 2014 é um dos principais trunfos da candidatura brasileira. Aeroportos, rodovias, redes de metrô e estádios construídos ou modernizados há mais de uma década devem reduzir a necessidade de obras novas e facilitar a operação do torneio.
Jannuzzi destacou que a evolução econômica das competições femininas abre espaço para um novo modelo financeiro. Cerca de 70% da equipe local contratada pela Fifa para trabalhar no evento é formada por mulheres. “A expectativa é que a próxima edição seja a primeira Copa do Mundo Feminina da Fifa superavitária. Isso mostra que o futebol feminino pode gerar resultado financeiro”, afirmou o dirigente.
Edições anteriores servem de referência
A Fifa acompanha de perto os resultados das edições anteriores. França 2019 e Austrália e Nova Zelândia 2023 chegaram perto do equilíbrio financeiro ou conseguiram se sustentar com receitas próprias, mas não deixaram sobra de caixa. O Brasil entra, portanto, como um teste para demonstrar que o futebol feminino também pode movimentar receitas em larga escala.
O investimento na modalidade é visto como uma estratégia de longo prazo. Segundo Jannuzzi, o retorno não ocorre de forma imediata, mas pode ser construído com planejamento, patrocínios, venda de ingressos, transmissão e maior presença do público nos estádios.
Inspeções avaliam estrutura nas cidades-sede
Uma comitiva com cerca de 100 funcionários da Fifa percorre, ao longo de setembro, as oito cidades que receberão os jogos. O grupo avalia conectividade para a imprensa, estado dos gramados, acessos do público, segurança, circulação interna e demais exigências técnicas para a competição.
A equipe já visitou Beira-Rio, Maracanã, Mineirão, Mané Garrincha, Arena Corinthians e Castelão. Ainda estão previstas inspeções na Arena Pernambuco e na Arena Fonte Nova. Uma nova rodada de vistorias deverá ocorrer em 2027, pouco antes do torneio, para confirmar os ajustes finais.
Castelão receberá modernizações
O Castelão, confirmado para receber nove partidas, passará por intervenções voltadas principalmente para tecnologia da informação. Também estão previstas a recuperação e substituição de cadeiras, identificação e numeração dos assentos e manutenção de áreas internas.
O secretário do Esporte do Ceará, Rogério Pinheiro, informou que as obras devem começar ao final da temporada do futebol brasileiro, com o objetivo de reduzir impactos no calendário dos clubes estaduais. A estrutura física do estádio, modernizado em 2012, continua em uso, mas receberá adaptações conforme as exigências da Fifa.
Com a combinação de infraestrutura existente, investimentos pontuais e crescimento comercial do futebol feminino, o Brasil buscará transformar a Copa de 2027 em referência esportiva e financeira para as próximas edições.
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