Ex-jogadores da Nba pressionam Wnba a definir critérios de elegibilidade
Enes Kanter Freedom e Royce White anunciaram intenção de participar do draft da WNBA para questionar a ausência de uma definição formal sobre quem pode competir na liga feminina. O caso amplia o debate sobre autoidentificação, inclusão e critérios esportivos.

Divulgação
Dois ex-jogadores da NBA, Enes Kanter Freedom e Royce White, anunciaram a intenção de participar do draft da WNBA, principal liga profissional de basquete feminino dos Estados Unidos. Os atletas apresentam a medida como uma forma de pressionar a organização a esclarecer quais critérios determinam a elegibilidade de uma mulher para competir na categoria.
Regra não estabelece critérios formais
A convenção coletiva da WNBA determina que “somente jogadoras que são mulheres são elegíveis para jogar”, mas não traz uma definição formal sobre o termo. A ausência de critérios objetivos abriu espaço para um debate sobre autoidentificação, inclusão e os limites de participação em categorias femininas do esporte.
Freedom afirma preencher os requisitos atuais
Em um vídeo publicado no Instagram em agosto, Enes Kanter Freedom afirmou que, se a regra atual permite a participação mediante uma declaração de identidade, ele também atenderia aos requisitos. Na legenda da publicação, disse que sua equipe analisou os critérios de elegibilidade e anunciou oficialmente sua intenção de disputar o draft de abril de 2027.
Freedom destacou que não pretende ridicularizar ou desrespeitar comunidades e escolhas pessoais. Segundo ele, o objetivo é exigir a aplicação das regras existentes de maneira igualitária. No dia 23 de agosto, ele compareceu ao jogo entre Chicago Sky e Indiana Fever usando uma camiseta com a frase “Mulher, substantivo. Ser humano adulto do sexo feminino”. O ex-jogador foi retirado do local após ser confrontado pela atleta Natasha Cloud, do Chicago Sky.
Em outra publicação, feita em 4 de setembro, Freedom voltou a defender que a liga esclareça o que considera uma mulher para fins competitivos. Ele afirmou que, se a WNBA não conseguir estabelecer essa definição, teria “o maior prazer” em assumir o cargo de comissário para conduzir mudanças na competição.
Declarações reacendem debate sobre esporte feminino
O tema ganhou mais visibilidade após a jogadora Sophie Cunningham defender, em julho, restrições à participação de meninas e mulheres transgênero nos esportes femininos. Cunningham afirmou ter recebido muitas críticas e acusações de odio contra pessoas trans. Ela sustentou que busca proteger atletas que, segundo sua avaliação, não deveriam enfrentar homens biológicos em vestiários ou competições.
Royce White também anuncia intenção
Royce White entrou no debate ao publicar vídeos no Instagram usando uma peruca loira e dizendo se identificar como mulher. Ele afirmou que pretende se candidatar à WNBA com base nas mesmas regras questionadas por Freedom. No dia 28 de agosto, White compareceu ao jogo entre Connecticut Sun e Indiana Fever, em Indianápolis, vestindo a peruca.
As declarações dos dois ex-jogadores transformaram uma lacuna normativa em um teste público para a liga. A WNBA ainda não apresentou uma definição formal que resolva a controvérsia, enquanto atletas, torcedores e dirigentes seguem divididos sobre como equilibrar inclusão, segurança competitiva e critérios claros de participação.
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