Mombak planeja mobilizar quase R$ 1 bilhão para restaurar áreas na Amazônia
Com um novo fundo de US$ 150 milhões e R$ 200 milhões aprovados pelo BNDES, a Mombak prepara uma expansão que pode adicionar cerca de 42 mil hectares de floresta restaurada.

Divulgação
A Mombak prepara uma nova rodada de investimentos para ampliar a restauração de áreas na Amazônia. A companhia, que atua com reflorestamento e créditos de carbono, quer mobilizar quase R$ 1 bilhão por meio de um novo fundo e de operações de crédito, mantendo o ritmo de crescimento iniciado com seus primeiros projetos.
Captação combina recursos privados e financiamento público
A empresa já obteve aprovação de R$ 200 milhões junto ao BNDES, na linha de Florestas Nativas e Recursos Hídricos do Fundo Clima. Paralelamente, lançou a captação do segundo fundo de investimentos, com meta de US$ 150 milhões, aproximadamente R$ 750 milhões. Uma primeira rodada do fundo foi concluída em setembro, mas valores e investidores não foram divulgados.
O fundo também foi selecionado pela BNDESPar em uma chamada voltada a investimentos em mitigação climática e aguarda avaliação final. Caso aprovado, poderá receber pelo menos R$ 250 milhões do braço de participações do banco. Com isso, a Mombak terá uma estrutura financeira capaz de acelerar projetos de restauração e aumentar a produção de créditos de carbono.
Expansão pode alcançar 42 mil hectares
No primeiro fundo, a Mombak captou US$ 120 milhões e viabilizou o reflorestamento de 27 mil hectares. Se os novos recursos seguirem uma relação proporcional entre investimento e área recuperada, a companhia poderá restaurar aproximadamente mais 42 mil hectares. A estimativa, porém, dependerá da captação efetiva, dos custos dos projetos e das condições operacionais em cada região.
O avanço também deve ser apoiado por ganhos obtidos em pesquisa e desenvolvimento. A empresa aprimorou a gestão dos plantios, o conhecimento sobre solos e a seleção de espécies e sementes mais adequadas à recuperação florestal. Com esses ajustes, afirma captar 1,8 vez mais carbono do que o previsto inicialmente, reduzindo o custo médio de produção dos créditos.
Mercado de carbono ganha contratos e garantias
A Mombak espera gerar 100 mil toneladas em créditos de carbono neste ano. A nova certificadora escolhida, a Isometric, também contribuiu para impulsionar o processo de geração e validação dos créditos. Parte dos recursos já está sendo entregue a compradores com contratos de longo prazo, em alguns casos dois anos antes do prazo previsto.
A companhia acabou de firmar um novo contrato dessa natureza com a Salesforce, sinalizando o aquecimento da demanda corporativa. Para o fundador Gabriel Haddad, a procura está acima da oferta disponível, tornando necessário escolher quais clientes serão atendidos em meio ao crescimento do mercado.
Os contratos de longo prazo ajudam a reduzir riscos e oferecem maior segurança aos financiadores. Esse mecanismo tem sido fundamental para superar um dos principais obstáculos do setor: a apresentação de garantias. Atualmente, sete bancos oferecem fiança para operações vinculadas à atividade, e duas instituições devem entrar no grupo em breve.
O BNDES também realiza leilões de compra de créditos de carbono que podem servir como garantia para novos financiamentos. No primeiro deles, a Petrobras contratou 5 milhões de créditos. Uma segunda chamada está em andamento e prevê um grupo de compradores capaz de firmar contratos de até R$ 6 bilhões, fortalecendo a base financeira de projetos de restauração na Amazônia.
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