EUA reabrem inspeção de gado do México, mas carne deve permanecer em nível recorde
Porto de Santa Teresa volta a autorizar entrada de animais mexicanos após bloqueio motivado pela mosca-da-berne. Especialistas avaliam, porém, que a medida não terá efeito imediato sobre os preços da carne bovina nos Estados Unidos.

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Retomada do comércio deve ampliar a oferta de animais
Os Estados Unidos devem reabrir na próxima quinta-feira, 1º de outubro, o porto seco de Santa Teresa, no Novo México, considerado o principal ponto de inspeção de gado na fronteira com o México. A retomada permitirá a entrada de animais mexicanos que estavam bloqueados desde o ano passado, quando as autoridades americanas suspenderam as importações para evitar a disseminação da mosca-da-berne do Novo Mundo.
Controle da praga permite nova etapa nas importações
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informou que o comércio poderá ser retomado com medidas de segurança. A restrição havia sido adotada depois que a praga foi identificada em um bezerro no Texas, em junho, provocando preocupação entre pecuaristas e investidores do mercado futuro. Apesar do risco de uma multiplicação rápida dos casos, as ocorrências permaneceram relativamente controladas.
Atualmente, os Estados Unidos registram dois casos ativos da mosca-da-berne, incluindo um deles em um cavalo no Novo México, a cerca de 260 quilômetros de Santa Teresa. No México, porém, as ocorrências continuam aumentando, o que exige monitoramento constante dos animais que cruzarem a fronteira e reforço nos procedimentos de inspeção.
Alívio nos preços deve demorar
A reabertura do porto pode ampliar a oferta de gado no médio prazo, mas não deve provocar queda imediata no preço da carne bovina. O gado importado do México leva de cinco a oito meses para atingir as condições adequadas de abate. Portanto, mesmo com a volta do fluxo comercial, o impacto sobre os frigoríficos e sobre as prateleiras dos supermercados será gradual.
A carne moída nos Estados Unidos chegou a nearly US$ 7 por libra no mês passado, um nível recorde que aumenta a pressão sobre consumidores e sobre o governo. O custo elevado dos alimentos ganhou relevância política antes das eleições de meio de mandato de novembro, enquanto o presidente Donald Trump enfrenta dificuldades para cumprir promessas de redução de preços, apesar de medidas como a flexibilização de tarifas de importação e investigações sobre a atuação dos frigoríficos.
Restrição histórica do rebanho mantém mercado apertado
O problema não se limita à suspensão temporária das importações mexicanas. A pecuária americana segue pressionada por uma seca persistente, que levou produtores a reduzir seus rebanhos ao longo dos últimos sete anos. Com menos animais disponíveis para abate, a oferta doméstica permanece restrita, criando um cenário em que a reabertura de Santa Teresa ajuda a normalizar o comércio, mas ainda não deve encerrar o ciclo de preços elevados da carne bovina.
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