Consumo de café no Brasil cresce 2,29% até agosto
Consumo nacional de café avança 2,29% entre janeiro e agosto de 2026, impulsionado pela maior oferta e pela redução dos preços. Indústria acompanha com cautela os efeitos do El Niño na próxima safra.

Divulgação
Consumo acelera no segundo período do ano
O consumo de café no Brasil cresceu 2,29% entre janeiro e agosto de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior. Foram 13,68 milhões de sacas de 60 quilos, segundo dados apresentados pela Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic). O resultado revela uma aceleração do mercado no segundo período do ano.
Entre maio e agosto, o consumo somou 7,02 milhões de sacas, com alta de 4,65% sobre igual intervalo de 2025. Nos quatro primeiros meses do ano, o avanço havia sido de 2,44%. A mudança de ritmo coincide com a maior tranquilidade no abastecimento da indústria e com preços mais favoráveis ao consumidor.
Preços mais baixos aquecem as vendas
O diretor-executivo da Abic, Celírio Inácio, relacionou o crescimento à normalização da oferta de matéria-prima, tanto de café arábica quanto de robusta/conilon. A partir de junho, as empresas passaram a contar com um fluxo de suprimento mais estável, criando condições para que o varejo ampliasse promoções e estimulasse novas compras.
Os preços recuaram em praticamente todas as categorias analisadas em agosto de 2026, na comparação com o mesmo mês de 2025. A maior queda ocorreu no café torrado e moído das variedades tradicional e extraforte: o valor médio passou de R$ 62,83 para R$ 49,50 o quilo, redução de 21,22%. Em maio, esse mesmo preço estava em R$ 55,42 o quilo.
Cápsulas fogem da tendência de queda
A perspectiva da indústria é de acomodação dos preços, com maior estabilidade em relação a 2025. As cápsulas de dose única, porém, registraram comportamento diferente. Entre maio e agosto, o segmento teve alta de 7,73% no valor equivalente ao quilo do café, indicando resistência na categoria mesmo com a melhora geral do abastecimento.
Indústria aposta em novos formatos
Para ampliar a demanda, as empresas têm diversificado as opções disponíveis nas prateleiras. Bebidas prontas, cafés gelados e barras de proteína saborizadas fazem parte da estratégia para alcançar consumidores que ainda não incorporaram o produto à rotina ou procuram alternativas mais práticas, especialmente durante os meses mais quentes.
O presidente da Abic, Pavel Cardoso, destacou o crescimento do café gelado como uma forma de fortalecer o consumo no verão. A inovação passa a ser vista como instrumento para reduzir a dependência dos formatos tradicionais e abrir espaço para novas ocasiões de consumo ao longo do dia.
El Niño exige cautela com a próxima safra
A indústria acompanha com atenção os possíveis efeitos do fenômeno El Niño na produção brasileira. Até o momento, as floradas mais intensas são consideradas um sinal positivo, mas ainda não eliminam a necessidade de monitoramento. A próxima safra, prevista para 2027, deve enfrentar cenários diferentes entre as variedades cultivadas no país.
A expectativa é de maior pressão sobre a oferta de café arábica, influenciada pela bienalidade negativa dos cafezais. Em sentido contrário, o conilon/robusta deve ganhar força. Para os próximos 12 meses, a Abic estima que os preços do arábica enfrentem pressão mais intensa do que os do conilon.
Diante da volatilidade registrada nos últimos anos, as empresas também reduziram a cobertura de estoques. Antes, o suprimento podia chegar a oito ou 12 semanas. Atualmente, a estimativa da indústria é de quatro a sete semanas, embora a Abic reconheça que não possui dados precisos sobre a estratégia adotada por cada companhia.
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