Domínio genético e manejo avançado impulsionam produtividade no cerrado
A 91ª ExpoZebu, maior feira de gado zebuíno do Brasil, registrou um marco histórico na pecuária tropical: uma vaca da raça Gir Leiteiro superou a marca de 72 kg de leite em 24 horas, durante o concurso leiteiro oficial do evento. O feito, além de bater o recorde da exposição, evidencia a evolução genética do Zebu adaptado ao clima brasileiro, consolidando sua posição como alternativa viável para sistemas de produção intensiva no cerrado e regiões de alta temperatura.
Genética tropical em foco: seleção criteriosa garante ganhos expressivos
O animal campeão, pertencente a um criatório de Minas Gerais, foi submetido a um rigoroso processo de avaliação que incluiu controle leiteiro diário, análise de composição nutricional e resistência a doenças típicas do ambiente tropical. Especialistas destacam que a conquista reflete décadas de investimento em programas de melhoramento genético, como o Projeto Gir Leiteiro, que priorizam características como persistência na lactação, adaptação ao calor e eficiência alimentar. Segundo dados da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), a produtividade média da raça aumentou 40% nos últimos dez anos, impulsionada por técnicas como inseminação artificial e cruzamentos direcionados.
Sistema de produção: tecnologia e manejo fazem a diferença
O sucesso da vaca recordista não se limita à genética. O manejo adotado no criatório vencedor combinou alimentação balanceada com dietas à base de silagem de milho e concentrados proteicos, além de um sistema de resfriamento por aspersão para mitigar os efeitos do estresse térmico. Técnicos da ABCZ afirmam que a integração entre nutrição, sanidade e genética é o tripé para alcançar patamares como os 72 kg/dia. “O Zebu tropical já não é mais sinônimo de baixa produtividade. Hoje, ele compete de igual para igual com raças europeias em sistemas bem manejados”, declarou um pesquisador da Embrapa Gado de Leite, que participou da avaliação do animal.
Impacto econômico: pecuária leiteira ganha novo horizonte
A quebra de recorde em um evento de prestígio como a ExpoZebu tem reflexos diretos na cadeia produtiva. Produtores rurais de estados como Goiás, Mato Grosso e Bahia já relatam adoção de matrizes Gir Leiteiro em seus rebanhos, atraídos pela combinação de alta produtividade e menor custo operacional em comparação a raças como Holandês. Estimativas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) indicam que a participação do Zebu na produção nacional de leite cresceu 15% desde 2020, com projeção de expansão para 25% até 2030. “Esse tipo de resultado mostra que o Brasil pode se tornar autossuficiente em leite sem depender exclusivamente de raças importadas”, analisa um analista do mercado pecuário.
Desafios e perspectivas: o caminho para a próxima fronteira
Apesar do avanço, especialistas alertam que o setor ainda enfrenta gargalos, como a necessidade de mais investimentos em pesquisa e a profissionalização dos sistemas de produção. A vaca recordista, por exemplo, exigiu um investimento inicial superior a R$ 50 mil em genética e manejo, valor que pode ser inacessível para pequenos produtores. Além disso, a adaptação a mudanças climáticas, como secas prolongadas, exige inovações constantes. Para o futuro, a expectativa é de que tecnologias como edição genética e inteligência artificial sejam incorporadas aos programas de melhoramento, visando não apenas aumentar a produtividade, mas também garantir a sustentabilidade ambiental dos sistemas leiteiros tropicais.
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