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Goiânia: Memórias de uma Cidade Viva

Roberto Neves
2 de maio de 2026 às 10:00
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Goiânia: Memórias de uma Cidade Viva
Divulgação / Imagem Automática

Goiânia: Memórias de uma Cidade Viva

O urbanismo não é somente ruas e praças, como afirmou a arquiteta e urbanista Narcisa Abreu Cordeiro durante o lançamento de três obras sobre a memória de Goiânia. Essa ideia nos leva a refletir sobre a essência da cidade, que vai muito além de suas estruturas arquitetônicas.

A fala de Narcisa não é apenas uma definição técnica, mas um ponto de partida para compreender Goiânia como um organismo vivo, moldado por trajetórias humanas que, pouco a pouco, correm o risco de desaparecer. A Alameda dos Buritis, no Centro de Goiânia, é um exemplo disso, com sua história e personagens importantes que tiveram um papel fundamental na construção da cidade.

O que começou como um projeto localizado ganhou dimensão maior com o tempo, tornando-se uma espécie de cartografia afetiva da cidade. O urbanismo, tradicionalmente entendido como organização do espaço, passa a ser reinterpretado como memória, convivência e identidade. Goiânia, planejada desde sua origem, não se consolidou apenas por suas linhas arquitetônicas, mas também pela diversidade de influências que moldaram sua formação.

A construção de uma identidade é um processo complexo que envolve a combinação de diferentes fatores, como a história, a cultura e a arquitetura. Em Goiânia, isso é especialmente evidente, pois a cidade foi planejada para ser uma capital moderna e inovadora. No entanto, com o passar do tempo, a cidade corre o risco de perder sua memória e identidade, devido ao processo de apagamento histórico que está ocorrendo.

O tempo é um limite importante para a preservação da memória de Goiânia. A autora Narcisa Abreu Cordeiro reconhece que o trabalho de resgate chega em um momento-limite, pois muitas das pessoas que viveram a história da cidade já faleceram. A expressão “esquina do tempo” sintetiza o caráter urgente da obra: registrar antes que desapareça.

O trabalho de construção dos livros foi um processo minucioso e quase manual, baseado em escuta, investigação e aproximação com famílias. Esse método permitiu identificar personagens e histórias que dificilmente estariam nos registros oficiais. A obra é um exemplo de como a memória pode ser preservada e transmitida para as gerações futuras.

Além disso, a obra também destaca a importância da preservação da memória cultural de Goiânia. A presidente da Academia Goiana de Letras, Lêda Selma, afirma que a instituição tem por objetivo abarcar não só as letras, mas a cultura em geral, e também tem o compromisso de resgate. Os patronos da academia são sempre trazidos à tona, assim como pessoas importantes que ajudaram a construir Goiânia.

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