A engenharia financeira que transformou o agro brasileiro
No dia 24 de maio de 2026, a AGBI — gestora fundada pelo economista Luciano Lewandowski — comemora uma década de operações com um modelo que se tornou referência no mercado agro: comprar fazendas degradadas e devolvê-las ao ciclo produtivo como lavouras de alta performance. A estratégia, que já recuperou três propriedades e gerou lucros totais distribuídos aos investidores, alia a expertise de executivo de bancos de investimento à operação no campo, onde a botina suja de terra dialoga com planilhas de Excel.
Lewandowski, que atuou no topo da Faria Lima, identificou no interior do Brasil a maior oportunidade de lucro do país: solos esgotados ou mal geridos. Ao invés de apostar em terras já produtivas — disputadas por grandes grupos —, ele optou por imóveis rurais em estado de degradação, adquirindo-os por valores abaixo do mercado e aplicando um modelo exclusivo de equity. A tese não é apenas comprar terras, mas transformá-las por meio de um rigoroso sistema de engenharia financeira, que inclui manejo sustentável, tecnologia e gestão profissional.
De R$ 60 milhões em 4 anos a R$ 1 bilhão em 2026: a escalada da AGBI
Os números da AGBI falam por si. Entre 2013 e 2017, a gestora captou R$ 60 milhões após anos de operação. Em 2026, com o mercado agro cada vez mais atento à sustentabilidade e à produtividade, a meta é ambiciosa: captar R$ 1 bilhão até o final do ano. A expansão não é apenas quantitativa, mas qualitativa: a AGBI já estruturou operações em Goiás, Mato Grosso e Bahia, estados que concentram parte dos 100 milhões de hectares de pastagens degradadas no Brasil, segundo dados da Embrapa.
O sucesso do modelo se deve à sua capacidade de atrair investidores institucionais — fundos de pensão, family offices e gestoras de agronegócio —, que enxergam na recuperação de terras degradadas um ativo com potencial de valorização superior a 30% ao ano. Lewandowski argumenta que o agro brasileiro não precisa mais expandir sua fronteira agrícola, mas sim otimizar o que já existe: “Não é sobre derrubar mais mata, é sobre fazer o que já está desmatado voltar a produzir”, afirmou em entrevista ao Cenário & Fatos na última semana.
O equilíbrio entre lucro e sustentabilidade
A AGBI não vende apenas fazendas recuperadas, mas um modelo de negócio que se alinha às demandas do mercado por práticas ESG (ambientais, sociais e de governança). Ao revitalizar solos degradados, a gestora contribui para a redução do desmatamento, a captura de carbono e a geração de empregos no campo. Para Lewandowski, o agro do futuro não será mais associado apenas à soja ou ao boi, mas à inovação financeira e à sustentabilidade.
“O desafio não é técnico, é de gestão. Temos tecnologia, temos capital, mas precisamos de visão estratégica para escalar”, declarou. A AGBI já mapeou mais de 500 fazendas degradadas em todo o país, com potencial de adensamento produtivo. Com a data-base de 24 de maio de 2026, a gestora se prepara para lançar três novas captações este ano, cada uma com foco em diferentes biomas — cerrado, amazônia e pampa.

