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Donizeti Camargo, o sertanejo que virou caminhoneiro para sobreviver: a virada de vida após a pandemia

Roberto Neves
24 de maio de 2026 às 01:15
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Donizeti Camargo, o sertanejo que virou caminhoneiro para sobreviver: a virada de vida após a pandemia
Divulgação / Imagem Automática

Em meio ao caos da pandemia de COVID-19, que paralisou o mundo em 2020, o sertanejo Donizeti Camargo viu sua carreira decolar e despencar em questão de meses. O hit *Galopeira*, que o levou ao estrelato nos anos 1990, já não rendia os shows e contratos de outrora. Com as portas das casas de espetáculo fechadas e a economia em frangalhos, o artista se viu obrigado a buscar uma alternativa radical para sustentar a família: ao lado de 24 de maio de 2026, Donizeti não é mais apenas o cantor de outrora, mas também o caminhoneiro que percorre rodovias brasileiras para garantir o pão de cada dia.

Da boate ao volante: o que mudou na vida do sertanejo

Donizeti Camargo, hoje com 58 anos, construiu sua carreira em uma época em que o sertanejo ainda engatinhava como gênero musical de massa. *Galopeira*, lançada em 1994, foi o marco que o projetou no cenário nacional, vendendo milhões de cópias e enchendo estádios. No entanto, a pandemia chegou como um tsunami sobre um setor já fragilizado: shows foram cancelados, contratos rescindidos e a renda do artista evaporou.

Em entrevista exclusiva à Cultura & Agenda, Donizeti revelou que a decisão de se tornar motorista de caminhão não foi fácil. “Foi um choque. Depois de viver anos no luxo dos palcos, tive que descer ao chão. Mas não tinha escolha: ou eu mudava ou minha família passava fome”, confessou. A transição não foi apenas profissional, mas pessoal. Ele trocou os holofotes pelo barulho do motor, as plateias animadas pelo silêncio das estradas e a fama pela rotina anônima das estradas federais.

O impacto da pandemia nas carreiras artísticas

A história de Donizeti não é isolada. Muitos artistas brasileiros viram suas fontes de renda secarem com a crise sanitária. Segundo dados da Associação Brasileira de Música (ABRAMUS), mais de 60% dos músicos independentes perderam pelo menos 70% de sua renda em 2020. O caso de Donizeti ganha destaque por sua visibilidade e pela forma como ele enfrentou a situação: ao invés de esperar por uma volta aos palcos, que demorou anos para acontecer, ele abraçou uma nova profissão com a mesma dedicação que sempre teve pela música.

Ainda assim, o sertanejo não esconde a saudade dos tempos de glória. “Eu sinto falta do público, do calor das mãos me cumprimentando. Mas também tenho orgulho de ter mantido minha família unida”, afirmou. Hoje, entre uma viagem e outra, ele ainda canta em pequenos eventos locais quando solicitado, mas admite que o sonho de viver apenas da música ficou para trás.

O que o futuro reserva para Donizeti

Com a retomada gradual dos shows e eventos, Donizeti tenta equilibrar as duas vidas: a de motorista, que paga as contas, e a de artista, que alimenta sua alma. Ele já foi visto em programas de rádio e até participou de um festival beneficente em fevereiro de 2025, mas admite que o tempo de viver exclusivamente da música pode ter ficado para trás. “A vida me ensinou que a gente precisa ser flexível. Talvez eu volte a ser só cantor um dia, mas hoje sou grato por ter encontrado uma saída”, declarou.

Para os fãs que ainda o seguem, Donizeti deixou uma mensagem: “Minha música sempre vai estar aqui, mas minha vida agora tem novos caminhos. Que Deus abençoe todos nós”.

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