O Brasil não é mais só o gigante do agronegócio que alimenta o mundo, mas também o segundo maior criador de cavalos Quarto de Milha do planeta. E olha que isso não veio de brinde: foi uma revolução construída com suor, genética de ponta e uma cadeia que move bilhões. Hoje, o país tem mais de 740 mil animais registrados, 166 mil proprietários e 64 mil criadores ativos, segundo a ABQM. Números que mostram como o Quarto de Milha deixou de ser um cavalo de trabalho para virar um negócio sério, que gera emprego, renda e orgulho para quem vive no campo.
Esse sucesso todo começou lá atrás, em 1955, quando os primeiros exemplares chegaram ao Brasil trazidos pela Swift-King Ranch, vindo do Texas. Mas foi em 1969, com a fundação da Associação Brasileira de Criadores de Cavalo Quarto de Milha (ABQM), que o setor realmente decolou. A partir daí, o crescimento foi meteórico, impulsionado por três pilares que fizeram do Quarto de Milha o rei do agro brasileiro: sua aptidão para o trabalho no campo, sua versatilidade nos esportes e seu potencial genético, que transformou a raça em um verdadeiro negócio de alto valor.
Do curral ao pódio: como o Quarto de Milha virou estrela do agro
No começo, o Quarto de Milha foi trazido para o Brasil justamente por sua capacidade de trabalhar no campo. Com resistência, força e agilidade, ele se tornou o parceiro ideal para os peões na lida com o gado. Mas o que começou como uma ferramenta de trabalho logo virou muito mais: uma máquina de fazer dinheiro. Hoje, a raça domina provas de apartação, laço e até mesmo corridas, movimentando milhões em prêmios e leilões. E não é só no esporte que o Quarto de Milha brilha: sua genética superior também o tornou um dos cavalos mais valorizados do mundo, com animais sendo exportados para países como Estados Unidos, Argentina e Europa.
O segredo desse sucesso está na profissionalização da cadeia. Criadores investem pesado em genética, com programas de melhoramento que garantem animais cada vez mais rápidos, fortes e adaptados ao clima brasileiro. Leilões milionários, como os da ABQM, mostram o quanto a raça vale: um exemplar de ponta pode chegar a custar R$ 1 milhão ou mais. E não para por aí: o setor movimenta uma indústria inteira, que vai desde a produção de ração até a construção de pistas de rodeio, passando por hotéis-fazenda e serviços veterinários especializados.
Mais que um cavalo: um negócio que emprega e transforma regiões
O impacto do Quarto de Milha no Brasil vai muito além dos números. Estima-se que a cadeia produtiva da raça gere mais de 200 mil empregos diretos e indiretos, espalhados por todas as regiões do país. No Centro-Oeste, por exemplo, criadores de Mato Grosso e Goiás são referência mundial em genética. No Sul, estados como Paraná e Rio Grande do Sul apostam em provas de laço e apartação. Já no Nordeste, a raça se adaptou tão bem que hoje é usada até mesmo em vaquejadas, provando sua versatilidade.
E tem mais: o Quarto de Milha também é um termômetro da economia rural. Quando o preço dos animais sobe, a renda dos criadores aumenta, e isso movimenta o comércio local. Quando há seca ou crise, os leilões caem, e o impacto é sentido em toda a cadeia. Por isso, investir na raça é também investir no desenvolvimento do interior. Prova disso é que estados como Minas Gerais e São Paulo, que antes não eram tão fortes na criação, hoje já aparecem entre os maiores produtores do país. O Quarto de Milha não é só um cavalo: é um motor de crescimento para quem aposta no agro com inteligência e visão de futuro.
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